Mobilização chega à 32ª edição com lema voltado à defesa da terra, da paz, da moradia e das mulheres
A programação do feriado de 7 de Setembro em Campo Grande terá, além do desfile cívico-militar, uma mobilização de movimentos sociais, sindicatos, pastorais e entidades. A capital de Mato Grosso do Sul recebe nesta segunda-feira (7) a 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas, que terá concentração a partir das 7h, na Rua Barão do Rio Branco, entre as ruas 13 de Maio e Rui Barbosa.
Neste ano, a mobilização tem como tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!” e adota o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. A proposta é levar às ruas debates sobre moradia, conflitos pela terra, violência contra as mulheres, soberania nacional e direitos sociais.
Em Campo Grande, o ato é organizado pela Central Única dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul (CUT-MS) em parceria com o Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB). O Partido dos Trabalhadores (PT) também convocou sua militância para participar da mobilização.
Segundo os organizadores, o encontro pretende reunir participantes de movimentos das periferias, do campo e de ocupações, além de entidades e grupos que defendem pautas sociais. A manifestação faz parte de uma mobilização nacional que ocorre durante a Semana da Pátria, especialmente no dia 7 de setembro.
O que é o Grito dos Excluídos
Criado em 1995, o Grito dos Excluídos surgiu a partir da 2ª Semana Social Brasileira, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e foi inspirado pela Campanha da Fraternidade de 1995, que teve como tema “A fraternidade e os excluídos”.
A escolha do 7 de Setembro busca estabelecer um contraponto às comemorações oficiais da Independência e propor uma reflexão sobre as condições de vida da população brasileira e sobre quem efetivamente tem acesso a direitos, oportunidades e participação nas decisões do país.
Ao longo dos anos, a iniciativa passou a reunir movimentos populares, sindicatos, pastorais, igrejas e organizações sociais em diferentes cidades brasileiras. A mobilização mantém caráter ecumênico e defende pautas relacionadas à dignidade, participação social e garantia de direitos.
Em 2026, o Grito ocorre entre 1º e 12 de setembro, com maior concentração de atividades durante a Semana da Pátria. No dia 7, estão previstas manifestações em várias regiões do país.
Mulheres, terra e moradia estão entre as pautas
O lema escolhido para este ano foi definido após debates realizados ao longo de 2026 pela rede de articuladores do Grito. A proposta é colocar no centro da mobilização situações consideradas pelos organizadores como ameaças à vida e aos direitos da população.
A defesa da vida das mulheres ganhou destaque por causa do aumento da violência de gênero e dos feminicídios. De acordo com a organização do Grito, mais de 1,5 mil mulheres foram assassinadas no Brasil em 2025.
A questão da moradia também é uma das prioridades da edição deste ano. O movimento relaciona a falta de habitação adequada ao crescimento dos aluguéis, à desigualdade e às dificuldades enfrentadas por famílias de baixa renda para permanecer em áreas com acesso a serviços públicos e empregos.
No campo, a mobilização chama atenção para conflitos envolvendo terras, água e territórios ocupados por povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e trabalhadores rurais. A Comissão Pastoral da Terra também aponta os conflitos fundiários e a violência no campo como temas centrais da mobilização de 2026.
CUT defende fim da escala 6×1
Além das pautas relacionadas à terra, moradia e violência contra as mulheres, a Central Única dos Trabalhadores orientou sindicatos e entidades filiadas a participarem dos atos e levarem às ruas a defesa do fim da escala de trabalho 6×1.
A entidade também defende a redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Para a CUT, a mudança permitiria ampliar o tempo disponível para descanso, convivência familiar, cuidados e participação social.
A mobilização deste ano também aborda a defesa da soberania nacional e da democracia, além da busca por soluções pacíficas para conflitos. Entidades que participam da organização afirmam que as pautas estão relacionadas à garantia de direitos e à melhoria das condições de vida da população.
Mobilização em Campo Grande
Na capital sul-mato-grossense, a concentração está marcada para as 7h na Rua Barão do Rio Branco, entre a Rua 13 de Maio e a Rua Rui Barbosa.
A organização convida movimentos sociais, trabalhadores, representantes de comunidades, entidades religiosas e demais interessados a participar do ato. A manifestação ocorre no mesmo dia em que Campo Grande recebe a programação oficial do feriado da Independência do Brasil.
A mobilização de Campo Grande integra a agenda nacional do 32º Grito dos Excluídos e Excluídas. Em todo o país, atos foram programados em cidades como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Manaus, Fortaleza e Dourados, em Mato Grosso do Sul.
Ao completar 32 edições, o Grito mantém a proposta de transformar o 7 de Setembro em um momento de reivindicação e debate sobre os direitos da população. Em 2026, a mensagem central da mobilização é sintetizada no lema que dá nome à campanha: “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”.





















