14/01/2020 18h03
Por: Redação

Laudo técnico de equipe de fiscalização do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) divulgado nesta terça-feira (14) diz que se trata de um fenômeno natural o acúmulo de material orgânico, como galhos e troncos de árvores, no leito do rio Miranda, na região do Pantanal.

A equipe de fiscalização do Imasul composta pelo engenheiro Diego do Carmo Brito, os gerentes Luiz Mário Ferreira (Fiscalização) e Leonardo Sampaio Costa (Recursos Hídricos) e pelo próprio diretor presidente do órgão, André Borges, esteve no município de Miranda, nesta segunda-feira (13), para verificar a origem do material orgânico que obstruiu parcialmente o leito do rio Miranda.

Baseando-se em imagens feitas por drone e verificação in loco, os técnicos produziram um laudo que atesta ter se tratado de um fenômeno natural o deslocamento dessa vegetação.

O material orgânico espalhou-se por uma extensa área do rio, na altura da Ponte do Calcário, encobrindo quase toda a superfície. Com auxílio de máquinas da Prefeitura de Miranda, o entulho foi retirado ainda no fim de semana, devolvendo a normalidade ao leito do rio, conforme atestam as fotografias feitas pelo drone do Imasul.

Esse fenômeno já havia sido registrado em 2007, sendo noticiado por um jornal local, e está ligado às fortes chuvas que atingiram a região nos últimos dias. O leito do rio subiu de 3,86 metros para 5,28 metros em duas semanas. O CEMTEC (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), mostra que choveu 138,4 milímetros na região desde o início do mês até a segunda-feira (13).

O laudo produzido pelos técnicos do Imasul relata a situação verificada em três pontos diferentes do rio: na altura da ponte da MS-339, no distrido de Salobra e na ponte da MS-345, no distrito de Águas do Miranda.

As conclusões sobre a fiscalização no primeiro ponto do rio são as seguintes:

  • O leito do rio Miranda já se encontrava desobstruído, não havia mais aglomeração e acumulação de material vegetal no leito;

  • Havia alguns restos de vegetação desvitalizadas nas margens do rio Miranda, descendo a corrente. Foi possível observar que se tratava de restos de bambu e vegetação nativa diversas (galhos finos, cipós, troncos finos em decomposição, folhas, gravetos);

  • Grande parte da vegetação seca que está rodando no leito do rio Miranda, trata-se de bambu (taquara, taboca) que são ocas na sua parte interna e vegetação nativa de baixa densidade o que favorece a permanência desse material na superfície da água;

  • O nível do rio Miranda estava alto com água com coloração barrenta, indicando que havia chovido muito em sua cabeceira e seus afluentes. Outro fato observado foi a baixa velocidade da água, o que favorece a acumulação dos galhos no leito do rio;

  • Devido às fortes chuvas o nível das águas do rio Miranda já está começando a extravasar para as margens.

    Com relação ao segundo ponto fiscalizado, na altura do distrito de Salobra, são essas as conclusões:

“Nesse ponto foi verificado que as águas do rio Miranda também estavam com coloração menos barrenta, devido ao aporte das águas do rio Salobra;
“Havia a presença de material vegetal no leito do rio, flutuando rio abaixo em ambas as margens;

“Em conversa com ribeirinhos os mesmos afirmaram que todo ano, no período de chuvas intensas o rio Miranda enche e acaba arrastando o material vegetal depositado nas margens.”

Já a vistoria no distrito Águas de Miranda resultou no seguinte:

“Nesse ponto foi verificada a presença de vegetação densa de bambus em ambas as margens do Miranda e do rio Nioaque, figuras 9 e 10, afluente da margem direita do rio Miranda;

“As folhas e galhos desvitalizados desse tipo de vegetação permanecem às margens dos cursos de água e em período de grandes precipitações o próprio deflúvio superficial acaba arrastando esse material depositado no solo para o leito dos afluentes e daí para o leito do rio Miranda;
“Nessa parte, o rio Miranda está com seu nível de água mais baixo que em Miranda, fato esse que favorece a manutenção de velocidade alta facilitando o arraste do material vegetal para jusante;
“Foi verificado a presença de vegetação seca às margens do rio Miranda, próxima da água, portanto, qualquer aumento do nível das águas do rio Miranda arrastará esse material para o leito e daí segue rio abaixo.”

Com base nas evidências colhidas* in loco*, os técnicos do Imasul concluem o laudo com as seguintes afirmações:

  • Diante do exposto, conclui-se que o rio Miranda, na cidade de Miranda encontra-se cheio, com suas águas começando a avançar sobre as margens;

  • As águas do rio Miranda estavam barrentas evidenciando o aporte do deflúvio superficial rural;

  • Havia a presença de material vegetal em todos os três pontos fiscalizados, principalmente restos de bambus e vegetação nativa de baixa densidade;

  • Na região da foz do rio Nioaque, afluente da margem direita do rio Miranda, há intenso maciço de vegetação de bambus, que avançam até a beira da água;

  • E finalmente, conclui-se que o fenômeno ocorrido no leito do rio Miranda, com o acúmulo de material vegetal desvitalizado, principalmente bambus, sob a ponte da rodovia MS – 339, trata-se de fenômeno natural, que ocorre todos os anos, porém, nesse ano de 2020, por uma sucessão de fatores, tais como altas precipitações pluviométricas, aumento do deflúvio superficial rural, acúmulo de material vegetal seco depositado no solo próximo as cursos de água, nível de água mais alto do rio Miranda e menor energia cinética das águas.

No laudo, os técnicos deixam claro que o fenômeno pode voltar a ocorrer, já que a previsão é de que as chuvas fortes continuem nas próximas semanas no Estado, e há muita vegetação nas margens do rio que pode ser arrastada pela força das águas.

Imasul

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