Lula oficializa retomada da UFN‑III em Três Lagoas: R$ 5 bilhões, 8 mil empregos e menos dependência de importações

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Foto: Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quinta‑feira (25) os contratos que marcam a retomada e conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN‑III), obra da Petrobras paralisada há 11 anos em Três Lagoas. O empreendimento é considerado estratégico para a soberania do agronegócio e a segurança alimentar do Brasil.

“Não tem explicação essa obra ficar parada tanto tempo. Quase 85% da estrutura já estava pronta, e o país continuou pagando valores altos para importar o que poderia produzir aqui. Agora vai”, afirmou o presidente durante a cerimônia.

“Podem ficar certos, esse país vai construir sua soberania, sendo independente de importação de fertilizantes dos outros países. É apenas esperar que a gente vai ver o que vai acontecer”, completou Lula.

📊 Dados do projeto

  • Investimento: mais de R$ 5 bilhões, com recursos do Novo PAC.
  • Início das obras: julho de 2026.
  • Empregos: cerca de 8 mil vagas diretas e indiretas.
  • Capacidade produtiva: 1,3 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia por ano — volume equivalente a 16% da demanda nacional do insumo.
  • Início da operação: previsto para 2029.

🎓 Qualificação profissional

A Petrobras anunciou também o lançamento do Projeto Autonomia e Renda Três Lagoas, com 1.400 vagas gratuitas de cursos de formação e qualificação. As aulas serão oferecidas em parceria com o Sesi, Senai e institutos federais, preparando a mão de obra local para atuar diretamente na fábrica.

🚀 Importância econômica e estratégica

Atualmente, o Brasil depende quase totalmente da importação de ureia — principal fertilizante nitrogenado usado em culturas como milho, cana‑de‑açúcar, trigo, arroz e café. Com a entrada em operação da UFN‑III e de outras três unidades da Petrobras, a expectativa é atender 35% do mercado nacional de ureia até 2029, reduzindo custos logísticos e a vulnerabilidade a variações de preços no mercado internacional.

A localização da fábrica também é um ponto positivo: fica próxima aos principais polos produtores do Centro‑Oeste e Sudeste, estados que respondem por cerca de 40% da demanda brasileira pelo insumo.

📝 Histórico da obra

  • Iniciada em 2011, foi interrompida em dezembro de 2014 por descumprimento contratual.
  • Em 2017, entrou no plano de desinvestimento da Petrobras e chegou a ser negociada com o grupo russo Acron, mas a venda não foi concluída por questões de fornecimento de matéria‑prima.
  • Em 2026, nova avaliação técnica e econômica atestou a viabilidade do projeto, levando à decisão de retomada definitiva.