
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) terem identificadas, juntas, 563 veículos, entre carros, caminhonetes, caminhões e carretas, de apoiadores ao presidente Jair Bolsonaro (PL), em atos contra o resultado das eleições nas rodovias e nas vias urbanas das principais cidades em frente às unidades do Exército Brasileiro.
É o que aponta documento da Superintendência de Inteligência e Segurança Pública (Sisp) encaminhado ao STF, por determinação do ministro Alexandre de Moraes. A lista tem 282 veículos e proprietários identificados, sendo 151 que estão em frente ao Comando Militar do Oeste (CMO), na Avenida Duque de Caxias, em Campo Grande.
Entre os veículos, segundo divulgado pelo Correio do eEstado, está o trio elétrico Trovão Azul, pertencente a Jean Bezerra Moraes, e um caminhão munk de propriedade da empresa Concremax Transportes e Locações de Máquinas Ltda., que empresta sua estrutura para servir de mastro de uma bandeira do Brasil.
Além de outros caminhões da Concremax, também foram identificadas carretas da empresa Concrelaje (pelo menos quatro), da Doc Transportes e da TransFutura, SUVs em nome de fazendas, como uma Mitsubishi Pajero em nome da Santa Eugênio Agropecuária, carros em nome de locadoras, um BMW X3 em nome de uma produtora rural, um Jaguar XF 2.0 Luxury, uma van em nome da Sociedade Beneficente Barão do Rio Branco e uma caminhonete da empresa Sementes Pastoforma.
No relatório há a identificação de mais de 50 caminhonetes, a maioria delas dos modelos Toyota Hilux, Ram 2500, Ford Ranger e Chevrolet S10. Ainda foram identificados veículos das empresas Pirâmide Distribuidora, Centro Automotivo Mattos, NC Transportes, Marquete Transportes e Aço e Aço.
Também foi observado a existência de quatro banheiros químicos pertencem à Ativa Locação Ltda, frente ao CMO. A empresa, emitiu nota, informando que as sua atividade comercial está diretamente associada à concentração de pessoas. “Somos locadores de equipamentos voltados para esse fim, e assim fomos contratados. Não financiamos, não organizamos, tampouco lideramos os atos que ocorrem por todo País. No entanto, defendemos a liberdade econômica, a livre expressão de opiniões e a manifestação popular, sem discriminação política, religiosa, de classe ou quaisquer outros tipos, como previsto no Art. 5º da Constituição. Para finalizar, vale lembrar que o ônus da prova é de quem acusa. Portanto, os que fazem alegações inverídicas estão sujeitos a respondê-las judicialmente.”
A inteligência da polícia também identificou sete líderes do movimento, que diz não ter lideranças. São empresários, ex-candidatos e até um ex-prefeito de cidade do Estado. “Verificamos que os manifestantes foram orientados a não levantarem faixas com o termo “intervenção militar”, nem usar o nome do presidente Jair Bolsonaro (PL)”, aponta o documento anexado a(Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) de número 519, que trata sobre o tema no STF.
No interior
Outros 131 veículos foram identificados em manifestações no interior do Estado, sendo 101 identificados em arredores de quartéis nas cidades de Amambai, Aquidauana, Bela Vista, Coronel Sapucaia, Coxim, Corumbá, Dourados, Jardim, Nioaque, Ponta Porã e Três Lagoas, além de rodovias estaduais.
Rodovias federais
A PRF aplicou 213 multas em carretas, caminhonetes, ônibus e carros que obstruíram as rodovias BR-163, BR-060, BR-158 e BR-267, sendo a maioria das multas foi aplicada em Caarapó (102), seguida por Campo Grande (54). A BR-163 também foi a rodovia com mais autuações, 168 ao todo.
Houve aplicações de multa em trechos de rodovias que passam pela Capital (BR-163, BR-262 e BR060), Dourados (BR-163), Paranaíba (BR-158), Caarapó (BR-163), Juti (BR-163), Guia Lopes da Laguna (BR-262 e BR-060), Maracaju (BR-267), Aparecida do Taboado (BR-158), Bandeirantes (BR-163) e Coxim (BR-163).
A presença dos veículos nas ruas da Capital desrespeita ordens estabelecidas pelo TSE e o Supremo Tribunal Federal (STF). Em virtude dos bloqueios de estradas ao redor do país devido ao resultado das eleições, o Poder Judiciário determinou a desobstrução das vias e que os caminhoneiros envolvidos nas manifestações fossem identificados e multados.
*Atualizada em 19/11/22




















