Operação prende nove membros de quadrilha do ‘golpe em locadora’ que já teria roubado 200 veículos em MS

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Três dos nove já presos hoje (Foto: divulgação/Polícia Civil)

A PC-MS (Polícia Civil de MS) em Corumbá deflagrou na manhã desta quinta-feira (8) a “Operação Decepticons II”, contra apontada quadrilha especializada no ‘golpe em locadora’. Estão sendo cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão em Corumbá, Campo Grande e São Paulo (SP), em parceria da PC Corumbá, com apoio da PC de Ladário, da PC de São Paulo e da Polícia Penal. Já foram presos nove acusados por organização criminosa de roubo de veículos com atuação interestadual e internacional. O líder seria paulista e morador no estado de SP, movimentando a quadrilha que já teria pego 200 carros alugados de locadoras.

Conforme a PC-MS, os alvos são investigados por integrar grupo que atuaria no Estado, em SP e de forma internacional, pois levariam veículos roubados para a Bolívia. “São especializados em levar veículos furtados ou roubados para a Bolívia. Sete pessoas foram presas em Corumbá, uma em Campo Grande e outra em São Paulo, esta última apontada como o líder da organização criminosa. Além disso, quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Corumbá, Jacareí e Guarulhos”, apontou a PC-MS.

O crime de furto qualificado, quando o veículo é transportado para outro estado ou exterior, era praticado pela organização criminosa por meio de locações de veículos no estado de São Paulo e transporte até a região de fronteira, onde eram vendidos na Bolívia. Além disso, para ‘camuflar’ o crime, após a travessia do veículo para o lado boliviano, os locadores eram orientados a registrar ocorrência policial como se tivessem sido vítimas de roubo na cidade de Corumbá. Os carros de alto valor eram alugados em nome de “laranjas” ou do próprio integrante da quadrilha.

Pelo menos 200 veículos – A organização criminosa, composta por diversos integrantes, disponha de um grande esquema de logística. O líder, em São Paulo, conhecido como “Malufinho”, era responsável por cooptar pessoas para alugar veículos com a promessa de receberem uma quantia, entre R$ 2 a 4 mil, para trazer o veículo até Corumbá. “Malufinho” também era o responsável por receber as quantias referentes às vendas dos veículos. O esquema ainda contava com olheiros, batedores e atravessadores, pessoas da cidade de Corumbá, que prestavam o apoio necessário para que o veículo chegasse à cidade e atravessasse a fronteira.

Operação prende nove membros de quadrilha do 'golpe em locadora' que já teria roubado 200 veículos em MS

Durante a operação, na residência de um dos alvos, em Corumbá, também foram apreendidos cerca de 2 kg de pasta base de cocaína, como se vê na imagem acima. “Estima-se que ao longo do último ano, a organização criminosa tenha lucrado cerca de R$ 6 milhões com a travessia de pelo menos 200 veículos. Os valores foram convertidos, por vezes, em cocaína para o estado de São Paulo”, revelou a PC-MS.

Passando por MS

De acordo com as investigações da PC-MS, as rotas utilizadas passavam pelo Pantanal de Mato Grosso do Sul, locais em que a organização criminosa possuía olheiros e batedores. A organização também tinha integrantes de aplicativos de corrida que realizavam o trajeto Campo Grande – Corumbá verificando e repassando, à quadrilha, informações do trajeto.

Após a chegada do veículo em Corumbá este era repassado para os atravessadores, pessoas que conhecem as rotas, chamadas de “cabriteiras”, estrada ilegal às margens da fronteira Brasil – Bolívia.

Um dos alvos da operação, indivíduo conhecido pelo apelido de “Dodô”, braço direito de “Malufinho”, foi preso no dia 05 de agosto transportando 70 quilos de cocaína em Campo Grande.

A operação

A primeira fase da operação consistiu na prisão de um casal em Corumbá, em março deste ano. O fato, investigado pela Seção de Investigações Gerais (SIG), da 1ª Delegacia de Polícia Civil de Corumbá, concluiu que o casal participava de um esquema criminoso envolvendo a travessia de veículos locados, para o país vizinho, a Bolívia.

Agindo como recuperadores de veículos autorizados de empresa de locação, tomavam o veículo dos condutores, levando-o para ser comercializado na Bolívia, prática denominada “arrocho”.