PF prende ex-chefe da Casa Civil do governo Cabral e cumpre outros mandados de prisão

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Publicado em 23/11/2017 06h28

PF prende ex-chefe da Casa Civil do governo Cabral e cumpre outros mandados de prisão

Régis Fichtner é suspeito de receber propina de R$ 1,6 milhão, segundo operador financeiro do esquema do ex-governador. Polícia cumpri outros quatro mandados de prisão, e também condução coercitiva e busca e apreensão.

G1

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (23), o ex-chefe da Casa Civil do Rio Régis Fichtner. A ação é mais uma fase da Operação Lava Jato no Rio e um desdobramento das investigações da Operação Calicute, desencadeada em novembro do ano passado e que resultou na prisão do ex-governador Sérgio Cabral. Também foi preso o empresário Georges Sadala. Além de Fichtner e Sadala, ainda estão sendo cumpridos outros três mandados de prisão, sendo dois para o mesmo suspeito. Os agentes também visam cumprir mandados de condução coercitiva e de busca e apreensão.

Os agentes chegaram ao endereço de Fichtner, na Barra da Tijuca, por volta das 6h. O ex-chefe da Casa Civil está com o ex-governador há muito tempo, desde que Cabral foi presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Fichtner é suspeito de receber propina no valor de R$ 1,6 milhão.

Os procuradores investigam também um esquema de corrupção no uso de precatórios por empresas que tinham dívidas, tributos e impostos com o governo do estado e também que empresas que tinham interese em fazer negócios com o governo do Rio, procuravam o escritório de advocacia de Fichtner. O ex-chefe da Casa Civil também era suplente de Cabral quando ele foi senador.

O empresário Fernando Cavendish também foi conduzido para prestar depoimento. Ele foi encontrado em casa, em um dos prédios mais luxuosos da Avenida Vieira Souto, em Ipanema, pouco antes das 6h.

Georges Sadala é um dos empresários que aparece em uma foto com o ex-governador Sérgio Cabral em um restaurante em Paris. A foto ficou conhecida como Farra dos Guardanapos. Sadala era um dos sócios de empresas que administrava o serviço Rio Poupa Tempo e também era representante de um banco que fazia empréstimos consignados para servidores públicos. Ele é conhecido por ser uma pessoa muito leal ao ex-governador Cabral.

Quem mora no mesmo prédio é Alexandre Accioly, empresário que é dono de uma rede de academias, que vai ser intimado a depor. Ainda não se sabe qual é o tipo de ligação que Acioly tem com o esquema de corrupção que o Ministério Público investiga.

O ex-chefe da Casa Civil do governo Cabral foi citado no depoimento de Luiz Carlos Bezerra, um dos operadores financeiros do esquema criminoso. Bezerra disse aos procuradores da Lava Jato que deu dinheiro para o ex-chefe da Casa Civil. Nas anotações do operador, Fichtner era conhecido como “Alemão” ou “Gaúcho”.

Régis Fichtner, ex-chefe da Casa Civil do governo Cabral, é um dos alvos da Lava Jato no Rio nesta quinta (23). (Foto: Reprodução/ TV Globo)