Presidente do TRE é investigada por interferência em julgamento

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Publicado em 26/07/2018 12h41

Presidente do TRE é investigada por interferência em julgamento

Por Redação

Futura presidente do TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) e atual presidente do TRE/MS (Tribunal Regional Eleitoral), a desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges é investigada por suspeita de interferir em um julgamento.

A ação teria atendido pedido do tenente-coronel Admilson Cristaldo Barbosa, policial militar preso em operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em repressão ao contrabando de cigarro, e de Denis Peixoto Ferrão Filho, servidor do TCE/MS (Tribunal de Contas da União).

A suspeita de tráfico de influência e tentativa de venda de sentença é decorrente das mensagens encontrada no celular apreendido na casa de Cristaldo. Denis tentava interferir no julgamento de um processo no TJ que envolvia amigo denunciado por corrupção.

Trechos recuperados de aplicativo de conversas foram mostrados, inicialmente, na edição de ontem em reportagem do jornalista Ricardo Mello, no Jornal Nacional, da TV Globo. Num dialogo no aplicativo Telegram, Cristaldo questiona a desembargadora se alguém,que cita apenas as iniciais, voltou atrás.

Ela informa que não, cita as iniciais de quem acompanhou e de quem pediu vista para “deixar mais leve e fortalecer o resultado”. No dia 17 de maio, Tânia se refere a algo que “foi perfeito” e cita um nome que pediu vista.

No dia 8 de maio, bate-papo de Admilson e Denis faz menção a um placar e é informado um pedido de vista. No dia 10 de abril, por volta de 6h40, o diálogo entre os dois é para conversar pessolamente “pra ninguém saber das tratativas”.

Cheque e promissórias – Os nomes da desembargadora, Dênis e Cristaldo já haviam se cruzado em cheque e notas promissórias apreendidas na casa do tenente-coronel em maio, quando foi realizada a primeira fase da operação Oiketicus.

A equipe do Gaeco localizou um cheque assinado pela desembargadora e com valor de R$ 165 mil. Tânia Borges informou se tratar de uma tentativa de “venda casada” de veículos. Ela relatou que pretendia comprar um Jeep Cherokee de Cristaldo, que conhece há 12 anos, e repassou o cheque para “segurar” o negócio.

Segundo a investigação, Tânia e Cristado negociaram para ele assumir o cargo de chefe de segurança do tribunal. A desembargadora disse que o policial sempre teve muito respeito na PM (Polícia Militar) e o queria na equipe de segurança, mas sem assumir a chefia.

Na casa de Cristaldo, também foram encontradas notas promissórias em que Denis assina reconhecimento de R$ 650 mil em débitos, sendo os valores dos documentos de R$ 150 mil, R$ 450 mil e R$ 50 mil. Todas emitidas em 14 de abril de 2018. Denis, que é chefe da Assessoria Jurídica no TCE, é réu por crime de lavagem de dinheiro.

Em mãos – Conforme o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, desde o dia 20 de junho de 2018, foi solicitado ao juiz da Vara da Justiça Militar Estadual cópias de todas as peças e documentos existentes nos autos da operação Oiketicus em que houvesse menção ou guardasse relação à desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges. A documentação foi repassada na mesma data.

Já no dia 21 de junho, o Procurador-Geral de Justiça, Paulo Cezar dos Passos, entregou em mãos, sob sigilo, o mesmo conteúdo para conhecimento e providências. Na data de 25 de junho, o presidente do TJ/MS, desembargador Divoncir Schreiner Maran, encaminhou cópia do procedimento para o ministro João Otávio de Noronha, Corregedor do Conselho Nacional de Justiça, em Brasília órgão competente para as análises em questão.

Tânia Borges era procuradora de Justiça e assumiu o cargo de desembargadora em novembro de 2003, na vaga destinada ao MP/MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

(Campo Grande News/Saul Schramm)