Proposta agrada, e caminhoneiros devem liberar vias e por fim à greve

504

Publicado em 28/05/2018 07h26

Proposta agrada, e caminhoneiros devem liberar vias e por fim à greve

Ontem, Planalto atendeu a categoria e reduziu diesel em R$ 0,46 na bomba. Estradas que ligam SP a Curitiba, BH e Rio, porém, ainda têm protestos

R7

Após a publicação de MPs com as demandas dos caminhoneiros no DOU (Diário Oficial da União), na noite de domingo (27), os caminhoneiros autônomos ficaram satisfeitos com a proposta do governo e, ao longo desta segunda-feira (28), podem colocar fim à greve.

Em entrevista à RecordTV, o presidente da Fecam (Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Estado de São Paulo), Claudinei Pelegrini, que representa cerca de 300 mil caminhoneiros, afirmou que a greve “acabou”.

— Graças a Deus acabou. Nós temos assinado isso. Temos dito, desde o início, que só teria validade esse acordo a partir do momento em que fosse publicado no Diário Oficial. O governo, quando quer, faz. Editou uma edição especial do Diário Oficial, saiu por volta de 1h da manhã [desta segunda-feira], dando cabo das decisões que foram tomadas. Se fosse aguardado o Senado votar o que a gente reivindicava, isso ia demorar semanas e a paralisação ia se manter. Com isso, o presidente se comprometeu, soltou as medidas provisórias, mais os outros acordos que tinham sido assinados na semana passada, e eu acredito que hoje, durante o dia, nós vamos estar passando aos caminhoneiros que estão nas rodovias.

Segundo Pelegrini, as mudanças precisavam ser publicadas no Diário Oficial haver a garantia de que seria cumpridas.

— Nosso medo, dos caminhoneiros, é que o governo se comprometesse e não cumprisse. Agora que temos as MPs assinadas, em que o governo se compromete […] por 60 dias, teremos R$ 0,46 de desconto no bico da bomba. […] Vamos ter, graças a Deus, que em nenhum lugar do país vai ser cobrado o eixo erguido […]. Mais ainda, foi publicado nas MPs a tabela de frete mínimo […], vai acabar essa história de 80 ou 90 toneladas por caminhão. Agora, o caminhoneiro vai carregar o peso do seu caminhão recebendo um valor correto.

O presidente da Fecam avaliou como “bom” o acordo para a categoria.

— Acho que foi um bom acordo. Cabe ao caminhoneiro entender isso, não levar para o lado político. Tem gente falando: “Vamos depor o governo”. Não é isso. Acho que pessoas alheias ao movimento tentando usar o caminhoneiro para outra discussão.

A Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros) afirma que decidiu assinar acordo com o governo para finalizar greve. Em nota, a entidade diz que considera o resultado uma “vitória”, uma vez que “o acordo anterior previa uma redução de apenas 10% por apenas 30 dias. Entretanto, a Associação acredita que até dezembro deste ano o Governo encontre soluções para que essa redução seja permanente”.

Como o objetivo da greve foi alcançado, a Abcam pede que os caminhoneiros voltem ao trabalho. Segundo a entidade, todas as multas aplicadas durante as manifestações foram canceladas tanto para os caminhoneiros como para as entidades.

O presidente da entidade, José da Fonseca Lopes, disse aos caminhoneiros que devem voltar “satisfeitos e orgulhosos” ao trabalho: “Amigos caminhoneiros, voltem satisfeitos e orgulhosos para o trabalho. Conseguimos parar este país e sermos reconhecidos pela sociedade brasileira e pelo Governo deste país. Nossa manifestação foi única, como nunca ocorreu na história. Seremos lembrados como aqueles que não cederam diante das negativas do Governo e da pressão dos empresários do setor. Teremos o reconhecimento da nossa profissão, de que nosso trabalho é primordial para o desenvolvimento deste país. Voltem com a sensação de missão cumprida, mas lembrando que a luta não termina aqui.”

O presidente Michel Temer (MDB) atendeu aos pedidos dos caminhoneiros para que a greve seja finalizada. Os pedidos publicados no DOU são: destinar 30% dos fretes da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) a caminhoneiros autônomos; a instituição da Política de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargo; e isenção de cobrança de pedágio para eixo suspenso de caminhões vazios em rodovias federais, estaduais e municipais.

Além disso, o governo também autorizou a redução do valor do diesel em R$ 0,46, com corte em tributos como a Cide e o PIS/Cofins. A paralisação começou na segunda-feira (21) e completou oito dias nesta segunda-feira.

Situação das rodovias

A rodovia Anchieta, que liga São Paulo ao litoral, tem trânsito intenso do km 23 ao 25 por causa das manifestações. A situação na Imigrantes é parecida, com lentidão no trecho do km 23,5.

A Fernão Dias, principal ligação entre São Paulo e Minas Gerais, também amanheceu com pontos onde há manifestações, mas o trânsito está livre em todos eles.

A rodovia Régias Bittencourt, interligação entre São Paulo e Curitiba, têm trânsito lento nos km 476 no sentido Paraná, km 280 nos dois sentidos, km 68 no sentido São Paulo e no km 384 no sentido Paraná.

A rodovia Presidente Dutra, que une São Paulo ao Rio de Janeiro, também tem pontos de lentidão nos km 209, na altura de Guarulhos, no sentido São Paulo, no km 51 na altura de Lorena, sentido São Paulo e no km 92 na altura de Pindamonhangaba, também no sentido São Paulo.

A Raposo Tavares, que estava bloqueada no km 29,5, foi liberada. Os caminhoneiros atearam fogo em pneus e entulhos no local.

Greve dos caminhoneiros começou na segunda-feira (21) e já dura 8 dias. Gilberto Soares/Futura Press/Estadão Conteúdo