Robótica transforma sonhos em projetos de futuro para estudantes da rede pública em Bonito

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O que antes parecia distante para muitos estudantes da rede pública agora ganha forma sobre rodas, sensores e muita criatividade. Em Bonito, a robótica tem se tornado uma porta de entrada para o universo da tecnologia, despertando talentos, fortalecendo a aprendizagem e, principalmente, ampliando horizontes para dezenas de jovens. Foi nesse cenário que alunos participaram do 2º Circuito de Robótica Sesi, em Bonito.

O evento reuniu, na última terça-feira (16/06), cerca de 70 estudantes da Escola Estadual Bonifácio Camargo Gomes, anfitriã do evento, Escola Municipal Durvalina Dorneles Teixeira e Escola Estadual Luiz da Costa Falcão.  

Promovida pelo Sesi, em parceria com a Prefeitura de Bonito, a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul e a Secretaria de Estado de Educação, a iniciativa reuniu estudantes do 6º ao 9º ano de três escolas públicas do município em uma competição que vai muito além da disputa por medalhas e troféus. O evento teve caráter classificatório para o Circuito Estadual Sesi de Robótica, marcado para novembro, em Campo Grande.

Mais do que ensinar programação e montagem de robôs, o projeto tem levado aos estudantes experiências que estimulam a resolução de problemas, o trabalho em equipe, a disciplina e o pensamento crítico. Para a diretora da Escola Sesi de Corumbá, Thaiani Macario, os impactos já podem ser percebidos no dia a dia escolar.

“A robótica conseguiu ajudar por conta dessa transformação, da resolução de problemas e dos desafios que os alunos precisam enfrentar”, destacou. Segundo ela, o projeto também contribui para melhorar aspectos como organização, respeito e disciplina dentro da escola.

Mas talvez o resultado mais importante esteja na capacidade de fazer os jovens enxergarem novas possibilidades para suas vidas.

“Hoje a gente está vendo o Sesi trazendo oportunidade e, principalmente, visão de futuro. As crianças estão pensando no que vão fazer depois da educação básica. Elas estão voltando a sonhar”, ressaltou Thaiani.

Na Escola Estadual Bonifácio Camargo Gomes, o reflexo desse envolvimento já é visível. De acordo com a diretora Rosemere Pereira de Souza, os estudantes abraçaram o projeto e passaram a demonstrar mais responsabilidade e comprometimento com a própria formação.

“A gente percebeu que eles estão realmente entendendo a importância do projeto e o diferencial que ele proporciona na aprendizagem. Eles cuidam do espaço, são responsáveis, não faltam às aulas e demonstram o quanto valorizam essa oportunidade”, afirmou.

Representando a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, a assessora de Sustentabilidade e Ação Climática no Turismo, Emanueli Ribeiro, reforçou que o apoio ao circuito está alinhado ao compromisso de fortalecer as comunidades dos destinos turísticos do Estado.

“Fomentar a robótica entre os jovens e dar esse protagonismo é fazer com que a gente realmente coloque em prática o que assume como responsabilidade”, confirmou.

Tecnologia para resolver desafios reais

Nesta edição, os participantes foram convidados a mergulhar no universo da arqueologia. O desafio era desenvolver soluções capazes de auxiliar profissionais na descoberta e preservação de artefatos históricos. Para isso, os estudantes precisaram pesquisar, criar protótipos, programar robôs e apresentar propostas inovadoras.

Segundo o professor de robótica Victor Hugo Poli, a atividade estimula os alunos a pensar além da tecnologia em si.

“Primeiro, eles precisam entender o que o arqueólogo faz, quais problemas enfrenta. Depois vem a construção da solução. Além da programação, eles precisam documentar o processo e trabalhar em equipe”, explicou.

Foi justamente esse exercício que levou a equipe Cães de Caça, da Escola Estadual Bonifácio Camargo Gomes, ao primeiro lugar na competição. Em sua estreia no circuito, o grupo desenvolveu uma proposta voltada à preservação de artefatos arqueológicos.

“Muitas vezes, os artefatos são quebrados durante a escavação. A gente queria solucionar esse problema e diminuir também escavações desnecessárias nos sítios arqueológicos”, explicou o estudante Carlos Pietro Cardoso.