Nascida no extinto distrito de Bela Floresta, em São Paulo, Floriza de Brito Araújo mudou-se para Selvíria ainda adolescente com sua família. Ali conheceu seu marido e casou-se aos 19 anos. Como o esposo era de Cassilândia, eles foram iniciar a vida conjugal na cidade dele e logo o destino sorriu para Floriza, dando-lhe a oportunidade de uma carreira no Judiciário.
“Naquela época os cartórios de registro eram particulares e o oficial do cartório de registro civil do distrito de Indaiá do Sul, que pertencia a Cassilândia, havia recebido uma proposta para ir para Três Lagoas, então colocou o cartório dele à venda. Nós então compramos e eu comecei a trabalhar como oficial. Com pouca bagagem, pouco conhecimento, mas muita ajuda e boa vontade dos colegas”, conta Floriza.
Pouco tempo depois, houve a mudança na legislação e os cartórios passaram a ser delegados a particulares pelo poder público. Como já administrava, Floriza foi posta como oficial substituta até que o concurso fosse feito. Quando este foi realizado, ela foi aprovada, passando a ser sua titular novamente.
“Quem trabalha nesse tipo de cartório sabe que a gente recebe várias propostas indecentes. Lembro que certa vez uma pessoa de idade avançada chegou em mim e perguntou quanto eu cobraria pra registrar um óbito de pessoa viva e fazer um registro de nascimento da mesma pessoa, com outro nome. Achei estranho, um crime e um absurdo. Não aceitei e simplesmente não dei resposta. A pessoa acabou desistindo e não falou mais nada também”, narra ainda com indignação.
Com o passar dos anos o cartório foi se tornando deficitário e foi recolhido para a comarca de Cassilândia. Como não queria se mudar para o município, Floriza abandonou o cargo de oficial de cartório e ficou à espera de um posto de trabalho que entendesse ser melhor para acompanhar o crescimento dos três filhos. Assim, quando foi criado o Juizado Especial em Chapadão do Sul, ela mudou-se com a família para ser a responsável pelo novo cartório.
“Pequenas causas e grandes problemas, como a gente dizia. Um dia a gente estava trabalhando no Juizado e chega um menino de 7 anos perguntando se era ali que gente pequena reclamava de gente grande. Por coincidência, o Promotor de Justiça estava lá e foi ouvir a criança. A mãe tinha batido nele e ele achou que deveria por bem procurar a justiça. Para ele, pequenas causas eram para os pequenos”.
Floriza conta que Chapadão do Sul, em 1994, ainda não tinha um fórum, então os juízes de Cassilândia iam uma vez por semana para fazerem as audiências. Entre todos, ela recorda com muito carinho de Jackson Aquino de Araújo. “Ele era muito atuante, muito brilhante e muito enérgico. Gostava bastante dele”.
Apenas em 2002 foi inaugurado o Fórum da comarca de Chapadão do Sul e servidores de Cassilândia e Costa Rica foram integrar o corpo de trabalho. Nesse novo prédio, Floriza atuou em vários setores, entre eles como responsável pelas causas eleitorais e servidora responsável pela secretaria da direção do fórum, até voltar para o Juizado Especial, onde se aposentou em 2004.
“Já faz 18 anos que estou aposentada. Meus filhos estão encaminhados e vivo hoje com meu marido em Chapadão do Sul. Tenho uma vida simples e uma vida de trabalho da qual me orgulho muito”.
Texto: Ascom TJ-MS



















