Das andanças nas estradas ao sossego do sítio

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(Foto: divulgação TJ-MS)

“Conheci a Genis, minha esposa, em um comércio que era do pai dela. Eu sempre comprava alguma coisa lá e acabamos nos tornando amigos. Daí fomos a um baile com mais duas amigas e quando retornamos da festa, ela era a última que eu deixaria na casa. Arrumei coragem e falei pra ela que nós podíamos namorar. Ela disse que me daria a resposta no outro dia que era 13 de agosto, sexta-feira, mas deu sorte. Temos dois filhos e dois netos”, começa o divertido José Pedro Baltha.

E outra, Genis era escrivã da 2ª Vara da comarca de Jardim quando chegou o primeiro veículo oficial, uma Kombi, e não existia o cargo de motorista. O Juiz Diretor do Foro da época, Geraldo de Almeida Santiago, recebeu o nome de José Pedro como indicação e solicitou ao prefeito de Guia Lopes da Laguna a cedência do servidor, e foi assim que o protagonista desta história estreou no Judiciário, e o que foi melhor: colega de trabalho da sua eterna namorada.

“Fiquei cedido para o Fórum por um período de um ano mais ou menos. Depois fui contratado pelo Estado por um período de dois anos. Foi quando criaram o cargo de motorista e teve concurso público. Fiz e passei, ingressando no Poder Judiciário como motorista concursado”.

Baltha era agente de apoio operacional quando foi nomeado como secretário da Direção do Foro da comarca de Jardim pelo Juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida. Cargo onde ficou até se aposentar. Mas calma que ainda tem muita história pela frente…

“Quando eu era motorista ia com o Juiz da época, Vladimir Abreu da Silva, atender em substituição na comarca de Porto Murtinho, distante 200 km de Jardim. A gente ia a cada 15 dias, ficava quinta e sexta lá. Também ia conosco o Promotor de Justiça Rogério Calábria de Araújo. Era uma aventura, pois era estrada de chão que na maior parte não era boa. Tínhamos que sair muito cedo”, lembra José Pedro.

Também quando estavam chegando os primeiros computadores nas comarcas do interior, acompanhando o Dr. Vladimir em uma dessas substituições em Porto Murtinho, José Pedro foi incumbido de fazer uma audiência operando a tal novidade. “Eu nunca tinha utilizado, nem o programa, e ainda tinham as partes paraguaias falando em guarani. Foi um desafio e tanto!”.

Sobre os aprendizados, ele conta ainda que também cresceu muito profissionalmente com os magistrados Carlos Alberto Garcete e Penélope Mota Calarge Regasso. “Dr. Garcete confiou em mim me designando secretário do Foro e trabalhei muito tempo com a Dra. Penélope, tanto no Fórum como nos trabalhos eleitorais. Também destaco aqui o Dr. Luiz Alberto de Moura Filho, que foi meu chefe, muito bom e meu amigo e companheiro de pesca”.

Sempre parceiro e disposto, Baltha se aposentou em agosto de 2020, com aquele sentimento bom de dever cumprido depois de 22 anos de Judiciário e esbanjando saúde. E ainda bem porque ele passou a se dedicar totalmente à lida no sítio onde vive. “É minha origem”, vai logo explicando o aquidauanense. “Fui criado morando em fazendas. Então tenho meus bichos, carneiro, porco, galinhas, umas vaquinhas, meu cavalo, meus gatos e cachorros”.

De vez em quando ele arruma uns dias de folga para ir pescar. “No sítio o dia clareia mais cedo e escurece mais tarde. Quando fico muito estressado, peço uma licença para o meu patrão (no caso hoje é ele mesmo), pego meu barco e vou pescar. Gosto da vida que levo”.

Texto: Ascom TJ-MS