Jamilzinho: Defesa diz que ‘justiça não foi feita’ para entrar com recurso contra condenação pelo ‘julgamento da década’ em MS

571
Advogado de Jamil Name, Nefi Cordeiro. (Kísie Ainoã, Midiamax)

Sem novidade, logico que os advogados de defesa de Jamil Name Filho, o Jamilzinho, afirmaram que irão recorrer da decisão que o condenou a 23 anos e 6 meses de prisão fechada, pela morte do estudante Matheus Coutinho, em Campo Grande. A sentença foi proferida quase no fim da noite desta quarta-feira (19), após três dias de Júri Popular, no chamado ‘Julgamento da década’, como o Enfoque MS noticiou ainda ontem. O advogado Nefi Cordeiro, fala do recurso, como parte natural e ainda mais porque considera que “a Justiça não foi feita”.

Acabou! Jamilzinho, Marcelo Rios e Vladenilson Olmedo são condenados pela morte de Matheus Xavier

Veja abaixo, que os outros dois réus também receberam condenação de mesmo período ou poucos meses e anos a menos, pelo julgamento, que teve inicio na manhã desta segunda-feira (17), e coloca um ponto final ao crime ocorrido em 9 de abril de 2019, que tinha como alvo o ex-capitão da Polícia Militar de MS, Paulo Xavier, conhecido como ‘PX’, pai de Coutinho, que acabou por morrer no ‘lugar do pai’.

De acordo com o advogado Nefi Cordeiro, será necessário, mais do que nunca, entrar com recurso, pois “a Justiça não foi realizada”, tanto pelo tamanho da condenação pelos crimes de homicídio e com duas qualificadoras – motivo torpe e dificuldade de defesa da vítima – e posse ou porte ilegal de arma de fogo.

Jamil Name Filho já tem três condenações, que somam 23 anos e 2 meses de prisão. Contudo, ele se sentou no banco dos réus pela primeira vez, pois das outras vezes não compareceu. Ele deve enfrentar outro júri pelo também assassinato de Marcel Costa Hernandes Colombo, o ‘Playboy da Mansão’. O julgamento pela morte de Marcel ainda não foi marcado.

Três réus são condenados a mais de 20 anos

Do mesmo modo, a defesa de Marcelo Rios afirmou que irá recorrer da decisão. Rios foi condenado a 23 anos de prisão pelos mesmos crimes de Name. A defesa de Vladenilson Olmedo, condenado a 21 anos de detenção, ainda não se pronunciou sobre a sentença ou os próximos passos que serão tomados pela defesa.

Jamil Name Filho foi condenado a 23 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato de Matheus Coutinho, morto em abril de 2019 no lugar do pai. Ele foi condenado sob acusação de ser o mandante do crime. Já os outros acusados, Vladenilson Olmedo e Marcelo Rios foram condenados a 21 anos e 6 meses e 23 anos de prisão, respectivamente. Os dois são apontados como os responsáveis por organizar a execução.

Após mais de 1 hora reunidos, os jurados do Conselho de Sentença condenou Jamil Name Filho, Vladenilson Olmedo e Marcelo Rios pelos crimes de homicídio com duas qualificadoras – motivo torpe e dificuldade de defesa da vítima – e posse ou porte ilegal de arma de fogo. Os réus foram absolvidos do crime de receptação.

O julgamento, considerado o maior da história de Mato Grosso do Sul, foi finalizado na noite desta quarta-feira (19), após três dias completos de sessões em Campo Grande.

Confira como ficou a condenação de cada um dos réus

Jamil Name Filho – Total de 23 anos, foi condenado à pena de 20 anos de reclusão por homicídio qualificado – motivo torpe e dificuldade de defesa da vítima; três anos e seis meses de reclusão e pagamento de 60 dias-multa por posse ou porte ilegal de arma de fogo. Ele foi absolvido da acusação de receptação.

Marcelo Rios – Total de 23 anos e pagamento de 120 dias-multa, foi condenado à pena de 18 anos de reclusão por homicídio qualificado – motivo torpe e dificuldade de defesa da vítima; Um ano e seis meses de reclusão e pagamento de 60 dias-multa por receptação do veículo roubado utilizado no crime; três anos e seis meses mais pagamento de 60 dias-multa por posse ou porte ilegal de arma de fogo.

Vladenilson Olmedo – Total de 21 anos, foi condenado a 18 anos de reclusão por homicídio qualificado – motivo torpe e dificuldade de defesa da vítima; três anos e 6 meses de reclusão por posse ou porte ilegal de arma de fogo mais 60 dias-multa.

O que motivou a execução?

As investigações demonstraram que Jamil Name e Jamil Name Filho teriam ordenado a morte de Paulo Xavier. PX já teria atuado com a família, na prestação de serviços enquanto também atuava como policial militar.

Inclusive, já teria feito segurança particular de Jamilzinho, na época em que ele teve uma briga com Marcel Colombo, o ‘playboy da mansão’, em 2018. Marcel foi assassinado a tiros em uma cachaçaria da cidade, também segundo a investigação a mando da família Name.

Foi nessa época que PX conheceu o advogado Antonio Augusto de Souza Coelho, com quem passou a ter uma relação próxima. Paulo Xavier também tinha vínculos com a Associação das Famílias para Unificação e paz Mundial.

Nesse período, Antonio foi procurado pela associação, para resolver pendências comerciais e negociar propriedades. Foi então que passou a negociar com a família Name, que se viu em prejuízo financeiro.

Depois, PX teria passado a prestar serviços para o advogado e parou de atender a família Name. Foi então que os líderes decidiram pela morte do policial. No contexto da denúncia, é relatado que a organização criminosa se baseava na confiança e fidelidade, por isso o abandono ao grupo foi malvisto.

A partir da ordem de execução de Paulo Xavier, homens de confiança da família Name foram acionados para colocarem o plano de morte em prática. São eles Marcelo Rios, ex-guarda municipal de Campo Grande, e o policial aposentado Vladenilson Olmedo.