Advogados pedem restrição de vídeos e interrogatório para preservar imparcialidade do julgamento do ex-prefeito
A defesa do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, pediu à Justiça que partes do processo em que ele é investigado por homicídio qualificado fiquem sob sigilo, ao menos parcial. O objetivo é impedir que a repercussão midiática influencie a opinião pública antes do julgamento, em um caso que já gerou intensa atenção da imprensa e da sociedade.
O pedido, apresentado na última quarta-feira (1º) pelo advogado Gledson Alves de Souza, destaca a ampla circulação de vídeos de câmeras de segurança da casa e do interrogatório de Bernal. A defesa argumenta que a divulgação contínua dessas imagens configura um “vazamento em escala industrial” e pode comprometer a imparcialidade do futuro julgamento.
O crime ocorreu em 24 de março, quando Roberto Carlos Mazzini, fiscal tributário estadual de 61 anos, foi morto a tiros em um imóvel que havia sido arrematado em leilão após pertencer a Bernal. Segundo a investigação, Mazzini chegou acompanhado de um chaveiro e teve acesso à residência antes de Bernal entrar armado. O ex-prefeito teria efetuado o primeiro disparo e, em seguida, se aproximado da vítima para dar o segundo.
A defesa sustenta que Bernal agiu em legítima defesa, afirmando que o ex-prefeito se sentiu ameaçado. Por outro lado, a Polícia Civil e a família de Mazzini contestam a versão. O delegado Danilo Mansur aponta que o intervalo entre os disparos, se confirmado, afastaria a alegação de legítima defesa. A perícia das imagens e outros exames ainda estão em andamento para esclarecer a dinâmica do crime.
Além do pedido de sigilo, a defesa já solicitou atendimento médico para Bernal, que permanece na Sala de Estado Maior. A decisão da Justiça sobre o controle de acesso aos autos pode definir os próximos passos do processo, que continua cercado de disputa entre versões e intensa repercussão na mídia local.



















