Celular sai da aula, e tecnologia ganha mais espaço nas escolas estaduais de MS

33
(Foto: Gilberto Vargas Jr)

Estado investiu mais de R$ 100 milhões em lousas interativas, laboratórios, robótica e recursos digitais para estudantes

O uso do celular durante as aulas foi restringido nas escolas estaduais de Mato Grosso do Sul, mas a tecnologia passou a ocupar um papel ainda mais presente no cotidiano dos estudantes. Lousas digitais, plataformas educacionais, laboratórios de informática e oficinas de robótica vêm transformando a forma de ensinar e aprender na Rede Estadual de Ensino, que recebeu investimentos superiores a R$ 100 milhões para ampliar sua infraestrutura tecnológica.

Na Escola Estadual Maria Constância de Barros Machado, em Campo Grande, a estudante do 3º ano do ensino médio Emily de Oliveira percebeu a mudança logo nos primeiros dias de aula. Sem utilizar o celular, ela passou a acompanhar conteúdos exibidos em uma lousa interativa de 75 polegadas, onde professores combinam vídeos, mapas, gráficos, imagens e exercícios em uma mesma atividade.

“Vim de uma escola particular que ainda usava Datashow. Agora, as aulas estão mais interessantes”, relata a estudante.

A reorganização do uso da tecnologia ocorreu após a regulamentação do uso de celulares nas unidades escolares em 2025. A medida orienta que os aparelhos permaneçam guardados durante as aulas, salvo em situações específicas, enquanto os recursos digitais passam a ser utilizados de forma coletiva e integrada às atividades pedagógicas.

Investimento em tecnologia

Para apoiar essa mudança, a Rede Estadual investiu mais de R$ 100 milhões na modernização das escolas. Os recursos foram destinados à compra de equipamentos, renovação dos laboratórios de informática, implantação de plataformas digitais e aquisição de lousas interativas.

Com isso, a tecnologia deixou de depender do aparelho particular de cada estudante e passou a fazer parte da estrutura das escolas.

Entre os principais recursos está a plataforma de protagonismo digital, que reúne conteúdos alinhados ao currículo escolar e oferece materiais de apoio para professores e estudantes.

Segundo a professora de inglês Luzimar Cristiane, a ferramenta amplia o acesso ao conhecimento e reduz diferenças entre os alunos.

“É um cardápio confiável de conteúdos para enriquecer nossas aulas. Para o estudante, é a garantia de que o acesso à educação digital não depende dos celulares, depende da escola”, afirma.

Robótica chega às salas de aula

A transformação também alcançou escolas do interior do estado. Em Dourados, estudantes passaram a desenvolver projetos de robótica utilizando kits com motores, sensores, baterias e equipamentos programáveis.

Foi assim que um aluno do 9º ano montou seu primeiro robô durante as atividades da Escola Estadual Floriano Viegas Machado.

“A gente começa montando e acaba criando um robô. Ele passa a se movimentar de acordo com os comandos programados e é como se ganhasse vida”, conta.

Os kits de robótica começaram a ser incorporados à rede estadual em 2022 e fazem parte das ações voltadas ao ensino de programação, raciocínio lógico, matemática e resolução de problemas.

Aprendizado na prática

Em Aquidauana, a robótica também passou a integrar a rotina dos estudantes da Escola Estadual Coronel José Alves Ribeiro. A novidade já trouxe um resultado inédito: alunos do 5º ano do ensino fundamental foram inscritos pela primeira vez na Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) de 2026.

Entre eles está um estudante que diz ter mudado a forma como enxergava a tecnologia.

“Antes eu achava que a robótica era matéria de faculdade e, aqui, aprendi que é coisa de quem quer aprender. Agora, o objetivo é continuar criando e desenvolvendo”, afirma.

Tecnologia como ferramenta de aprendizagem

As experiências vividas nas escolas mostram uma mudança no papel da tecnologia dentro da educação pública estadual. Em vez de disputar a atenção dos estudantes por meio dos celulares, os recursos digitais passaram a ser incorporados ao planejamento pedagógico e utilizados de forma orientada pelos professores.

Com lousas interativas, laboratórios, plataformas digitais e oficinas de robótica, a proposta é ampliar o interesse dos alunos, fortalecer o aprendizado e preparar os estudantes para uma realidade cada vez mais conectada, utilizando a tecnologia como instrumento de ensino e não como distração em sala de aula.