Avanço das investigações e acesso a novo celular apreendido ampliam pressão sobre o ex-banqueiro
As tentativas de Daniel Vorcaro de firmar um acordo de colaboração premiada enfrentam novos obstáculos. Em meio ao avanço das investigações que envolvem o extinto Banco Master, o empresário procura um novo advogado para assumir sua defesa e conduzir uma nova rodada de negociações com a Polícia Federal.
A movimentação ocorre após duas propostas de delação apresentadas por Vorcaro terem sido rejeitadas por investigadores. Segundo informações ligadas ao caso, os órgãos responsáveis pelas negociações consideraram insuficientes os elementos apresentados pelo ex-banqueiro para justificar os benefícios previstos em um eventual acordo.
O cenário ficou ainda mais delicado nas últimas semanas com o avanço das apurações. A Polícia Federal conseguiu acessar o conteúdo de um segundo celular utilizado por Vorcaro, ampliando o conjunto de informações disponíveis para os investigadores.
A expectativa é de que a análise do aparelho revele novas conversas, documentos e possíveis envolvidos que ainda não apareceram nos depoimentos prestados pelo empresário. Caso isso ocorra, a capacidade de negociação de Vorcaro poderá ser reduzida em futuras tentativas de colaboração.
Delação rejeitada
Até o momento, tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram as propostas apresentadas pela defesa.
O entendimento dos investigadores é de que as informações fornecidas não trouxeram fatos inéditos ou relevantes o suficiente para atender aos requisitos exigidos para a formalização de um acordo de colaboração premiada.
Enquanto busca retomar as negociações, Vorcaro também acompanha o desenrolar de decisões judiciais relacionadas a familiares investigados no mesmo contexto.
Na última semana, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve, por maioria de votos, as prisões preventivas de Henrique Moura Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro, respectivamente pai e primo do empresário.
Situação prisional preocupa defesa
Outro ponto considerado estratégico pela defesa envolve as condições de custódia do ex-banqueiro.
Atualmente, Vorcaro permanece em uma sala de Estado-Maior na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília. Com a falta de avanço nas negociações para um acordo de colaboração, investigadores passaram a defender sua transferência para outra unidade prisional.
O pedido ainda depende de análise do ministro André Mendonça, relator dos processos relacionados ao caso no Supremo Tribunal Federal.
Mudanças na equipe jurídica
Desde que voltou a ser preso, em março deste ano, Vorcaro já promoveu mudanças sucessivas em sua defesa.
Inicialmente, o empresário substituiu o advogado Pierpaolo Bottini por José Luis Oliveira Lima, profissional conhecido por atuar em negociações de acordos de colaboração premiada.
Após a rejeição da primeira proposta de delação, contudo, o advogado deixou o caso. Desde então, a defesa vinha sendo conduzida por Sérgio Leonardo.
Agora, o empresário busca um novo representante jurídico para tentar reabrir as negociações com os investigadores e construir uma estratégia capaz de viabilizar um eventual acordo de colaboração.



















