Pesquisa mostra 44% dos brasileiros identificados com direita ou centro-direita, contra 39% ligados à esquerda ou centro-esquerda
Uma pesquisa divulgada pelo Datafolha aponta uma mudança no perfil ideológico dos brasileiros. Pela primeira vez desde 2014, o número de pessoas identificadas com a direita e a centro-direita superou o de entrevistados alinhados à esquerda e à centro-esquerda, segundo levantamento realizado em junho e divulgado nesta sexta-feira (3).
De acordo com a pesquisa, 44% dos brasileiros foram classificados como de direita ou centro-direita, enquanto 39% se enquadraram como de esquerda ou centro-esquerda. A diferença é de cinco pontos percentuais, acima da margem de erro, que é de dois pontos.
O levantamento utiliza uma matriz ideológica elaborada pelo instituto com base em respostas sobre temas econômicos, sociais, culturais e comportamentais. Ao todo, os entrevistados responderam a 16 questões relacionadas a assuntos como atuação do Estado, impostos, pobreza, criminalidade, posse de armas, religião e direitos civis.
Os resultados mostram uma mudança em relação ao cenário observado na pesquisa anterior, realizada em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. Naquele ano, a esquerda e a centro-esquerda reuniam 49% dos entrevistados, enquanto a direita e a centro-direita somavam 34%.
Na série histórica, o único momento em que a direita havia superado a esquerda foi em 2014, no governo Dilma Rousseff. Na ocasião, 45% dos brasileiros se identificavam com a direita ou centro-direita, contra 35% que se posicionavam à esquerda ou centro-esquerda.
Mudança ocorreu principalmente no eixo comportamental
Segundo o Datafolha, a principal alteração em relação ao levantamento anterior ocorreu nas respostas relacionadas a temas comportamentais.
Nesse eixo, a direita passou de um cenário de empate técnico em 2022 para uma maioria em 2026. Atualmente, 52% dos entrevistados apresentam posicionamentos classificados como de direita, enquanto 29% se enquadram na esquerda e 20% no centro.
Uma das mudanças mais significativas foi registrada na percepção sobre a pobreza.
Em 2022, 76% dos entrevistados afirmavam que a pobreza estava relacionada principalmente à falta de oportunidades, enquanto 22% a associavam à falta de vontade de trabalhar.
Na pesquisa atual, o percentual dos que atribuem a pobreza à falta de disposição para o trabalho subiu para 40%, enquanto aqueles que apontam a desigualdade de oportunidades como principal causa recuaram para 58%.
Posse de armas também apresentou mudança
Outro tema em que houve alteração foi a posse de armas.
Em 2022, 63% defendiam a proibição da posse de armas de fogo, enquanto 35% apoiavam o direito de possuir armamento legalizado.
Agora, os percentuais passaram para 55% favoráveis à proibição e 41% favoráveis ao direito de possuir armas dentro da legislação.
Divisão por grupos ideológicos
Na classificação detalhada do Datafolha, os entrevistados ficaram distribuídos da seguinte forma:
- Direita: 15%;
- Centro-direita: 29%;
- Centro: 17%;
- Centro-esquerda: 26%;
- Esquerda: 13%.
Em comparação com 2022, houve crescimento tanto da direita quanto da centro-direita. A direita passou de 9% para 15%, enquanto a centro-direita avançou de 24% para 29%.
No mesmo período, a centro-esquerda caiu de 32% para 26% e a esquerda recuou de 17% para 13%. O grupo identificado como centro permaneceu estável, com 17%.
Como foi feita a pesquisa
O Datafolha entrevistou 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros, entre os dias 17 e 18 de junho.
As entrevistas foram presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09956/2026.





















