Após buscar imagem mais moderada, senador intensifica uso de lives, bandeira do Brasil e tom mais combativo para consolidar apoio da base bolsonarista
A estratégia de comunicação do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), passou por uma mudança nas últimas semanas. Depois de meses apostando em uma postura mais moderada para ampliar o diálogo com eleitores de centro, o parlamentar voltou a adotar elementos que marcaram a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em uma tentativa de fortalecer a conexão com o eleitorado mais fiel ao bolsonarismo.
Nos primeiros meses da pré-campanha, Flávio procurou construir uma imagem própria, destacando um perfil mais conciliador e direcionando mensagens a públicos considerados estratégicos, como o eleitorado feminino. Em algumas aparições públicas, utilizou camisetas com a frase “pai de menina” e evitou reproduzir o estilo mais confrontador do pai.
A mudança de estratégia ganhou força após a repercussão do caso envolvendo o documentário “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Em maio, uma reportagem revelou que Flávio Bolsonaro havia procurado o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para buscar recursos destinados ao financiamento do filme. A publicação apresentou mensagens, áudios e documentos relacionados às negociações para obtenção de um aporte financeiro ao projeto.
Inicialmente, o senador negou as informações ao ser questionado por jornalistas e criticou a reportagem. Posteriormente, confirmou que buscou apoio financeiro para o documentário, afirmando que a captação era privada, legal e não envolvia qualquer tipo de favorecimento ou contrapartida.
Campanha muda foco após desgaste
O episódio provocou repercussão na pré-campanha e levou a uma reestruturação da equipe de comunicação.
Segundo aliados, a avaliação passou a ser de que seria necessário reforçar os vínculos de Flávio Bolsonaro com a base tradicional do bolsonarismo diante do desgaste provocado pelo caso.
Desde então, o senador intensificou a realização de transmissões ao vivo nas redes sociais, recurso amplamente utilizado por Jair Bolsonaro durante seu governo para falar diretamente com apoiadores.
Além das lives, Flávio ampliou o uso de símbolos associados ao movimento bolsonarista, como a bandeira do Brasil, e passou a adotar um discurso mais crítico aos adversários políticos. Expressões frequentemente utilizadas pelo ex-presidente, como “tá ok”, também passaram a aparecer com maior frequência em suas manifestações públicas.
Pesquisas registraram queda após episódio
Dias após a divulgação do caso “Dark Horse”, levantamento do Datafolha apontou redução de quatro pontos percentuais na intenção de voto de Flávio Bolsonaro em um cenário de primeiro turno, passando de 35% para 31%.
Nos bastidores, integrantes da campanha minimizaram o resultado e classificaram a queda como pontual. Já adversários políticos avaliaram que a repercussão do episódio afetou a imagem do senador durante a fase inicial da disputa presidencial.
Antes da crise, a estratégia eleitoral buscava apresentar Flávio como um candidato capaz de preservar o legado político de Jair Bolsonaro sem reproduzir integralmente seu estilo de enfrentamento.
A avaliação da campanha era de que um posicionamento mais moderado poderia ampliar o diálogo com eleitores independentes e reduzir os índices de rejeição fora do núcleo mais fiel do bolsonarismo.
Com a mudança de cenário, auxiliares passaram a defender uma nova prioridade: consolidar o apoio da base histórica do ex-presidente, diante da possibilidade de fragmentação dos votos da direita e das discussões sobre outros possíveis representantes do campo conservador na eleição presidencial de 2026.





















