Com a proposta de conscientizar crianças sobre a violência doméstica e ajudar a romper ciclos de agressão desde cedo, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul lançou nesta segunda-feira, dia 31 de agosto, o projeto “Clarisse me disse”, uma iniciativa que une literatura, teatro e atividades lúdicas para abordar temas como respeito, igualdade de gênero e direitos das mulheres com mais de 300 alunos das redes municipais de Campo Grande e Ponta Porã.
A cerimônia de lançamento ocorreu no Salão Pantanal do TJMS e contou com a presença da juíza Caroline Costa de Camargo, do Tribunal de Justiça de São Paulo, autora do livro que inspira a iniciativa. Desenvolvido pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, o projeto marcou também o encerramento da programação do Agosto Lilás promovida pelo TJMS neste ano.
“O feminicídio e as agressões graves não começam no extremo. A violência dá sinais no cotidiano, por meio de gritos, humilhações, ameaças e controle. O mais significativo dessa união de forças é o impacto social da ação, que busca romper esse ciclo ao conscientizar crianças, adolescentes e adultos”, disse o vice-presidente do TJMS, Des. Eduardo Machado Rocha, antes de assinar o termo de cooperação que prevê a destinação de 2 mil exemplares do livro a Campo Grande e Ponta Porã.
“A obra tornou-se uma ferramenta pedagógica ao explicar, de forma sensível e acessível, que a violência não se resume à agressão física. O livro ajuda a reconhecer comportamentos abusivos e a identificar espaços seguros de apoio”, acrescentou o magistrado.
As 10 instituições que receberão os exemplares nesta etapa inicial foram selecionadas pelas Secretarias Municipais de Educação de Campo Grande e Ponta Porã em áreas de maior vulnerabilidade social. Com atividades lúdicas e rodas de conversa, o projeto trabalha a prevenção e a identificação precoce de situações de violência.
“Na prevenção à violência contra a mulher por meio da educação, falar sobre esse tema com crianças desde tão cedo é o caminho. Estamos plantando sementes que vão demorar para dar frutos, mas serão frutos consolidados, perenes, capazes de transformar as futuras gerações”, disse a Desa. Sandra Artioli, coordenadora Estadual da Mulher.
Os professores das unidades participantes receberão capacitação da Coordenadoria da Mulher para aplicar a metodologia do projeto, conduzir as atividades em sala de aula e orientar eventuais encaminhamentos à rede de proteção.
“Acredito que, em poucos anos, teremos uma mudança nessa triste realidade. Os números tão altos que hoje retratam a violência contra a mulher poderão dar lugar a indicadores de bem-estar, qualidade de vida, empregabilidade e de mais mulheres ocupando espaços de poder. É nisso que acredito, esse é o meu sonho e é por ele que vamos continuar lutando”, afirmou a desembargadora.
Autora do livro que inspirou o projeto, a juíza Caroline Costa de Camargo afirmou que a iniciativa representa a possibilidade de o Judiciário atuar antes que a violência aconteça. Segundo ela, a escola é um espaço estratégico para discutir relações respeitosas e prevenir comportamentos abusivos ainda na infância. “É a Justiça saindo simbolicamente da sala de audiência e entrando na sala de aula”.
Para ela, iniciativas como esta ajudam a criar “uma Justiça que não esteja apenas onde a violência termina, no processo e na sentença, mas que encontre caminhos para estar também onde uma nova história pode começar: na educação”.
Um dos diferenciais do projeto é a tradução do livro para o guarani-kaiowá, ampliando o alcance da mensagem de prevenção entre crianças indígenas da região de fronteira. “Para que a prevenção alcance a todos, é preciso também aprender a falar a língua de cada povo. Uma mensagem de proteção só cumpre verdadeiramente sua missão quando consegue chegar a quem precisa recebê-la”, finalizou a juíza.
Também assinaram o Termo de Cooperação Técnica a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes; o prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos; e a primeira-dama de MS, Mônica Riedel. A juíza diretora do Foro de Ponta Porã, Thielly Pithan, também esteve presente. Durante o lançamento, as autoridades destacaram o potencial do projeto para prevenir a violência desde a infância e formar novas gerações pautadas pelo respeito.



















