Diesel S-10 sobe 2,3% e chega a R$ 7,13 por litro nos postos, diz ANP

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Diesel S-10 tem nova alta e alcança R$ 7,13 por litro no Brasil

Levantamento da ANP mostra maior preço médio do combustível desde o fim de maio; Petrobras teve reajuste de R$ 1, mas aumento foi compensado por subsídio

O preço médio do diesel S-10 voltou a subir nos postos brasileiros e atingiu R$ 7,13 por litro nesta semana, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O valor representa alta de 2,3% em relação à semana anterior e é o maior registrado desde o fim de maio.

A elevação ocorre em um cenário de forte valorização do petróleo no mercado internacional, justamente no período em que começa o plantio da soja em diferentes regiões do país. O início da atividade agrícola tende a aumentar a procura por diesel, combustível amplamente utilizado no transporte de máquinas, insumos e produção.

Os dados da ANP correspondem à semana de 13 a 19 de setembro e fazem parte do levantamento semanal de preços realizado pela agência em postos de todo o país.

Petróleo passa de US$ 100

A pressão sobre os combustíveis ocorre também por causa da disparada das cotações internacionais do petróleo. O Brent, principal referência para o mercado global, encerrou a sexta-feira (18) cotado a US$ 104,87 por barril.

No começo de setembro, a cotação estava próxima de US$ 93. A diferença representa uma valorização de aproximadamente 12,8% ao longo do mês.

As cotações têm sido influenciadas pelo aumento das incertezas sobre a oferta mundial de petróleo, em meio aos conflitos e às tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Irã, Rússia e Ucrânia.

A situação tem reflexos no mercado brasileiro porque uma parcela relevante do diesel consumido no país depende de importações. Com isso, mudanças nas cotações internacionais e no câmbio podem aumentar os custos de abastecimento.

Importadores enfrentam diferença de preços

A valorização do petróleo também ampliou a diferença entre os preços praticados no mercado internacional e os valores internos do diesel.

Diante desse cenário, empresas que importam combustível passaram a enfrentar maior dificuldade para realizar novas compras, já que o produto adquirido no exterior pode chegar ao país com custo superior ao preço praticado internamente.

Representantes do setor alertam que esse descompasso pode provocar dificuldades pontuais de abastecimento e diferenças de preços entre regiões, especialmente caso a disparidade entre os mercados persista.

Petrobras reajustou diesel, mas subsídio neutraliza aumento

A Petrobras anunciou na quarta-feira (16) um aumento de R$ 1 por litro no preço do diesel A vendido às distribuidoras. O novo valor passou a valer a partir de quinta-feira (17).

O reajuste, entretanto, foi acompanhado por um desconto de igual valor relacionado à nova subvenção econômica criada pelo governo federal. Dessa forma, segundo a Petrobras, o preço efetivamente pago pelas distribuidoras permaneceu inalterado.

A nova subvenção tem duração prevista de 30 dias. Ela é adicional ao mecanismo de apoio já existente, de R$ 1,12 por litro, criado anteriormente por medida provisória.

Com a combinação dos dois mecanismos durante o período de vigência, o valor da subvenção pode chegar a R$ 2,12 por litro.

A Petrobras afirma que a medida permite evitar o repasse imediato da volatilidade das cotações internacionais e do câmbio aos preços praticados pela companhia para as distribuidoras.

Governo liberou bilhões para subsidiar combustíveis

O governo federal também autorizou, por meio de medida provisória, a abertura de crédito extraordinário para financiar subsídios relacionados à produção e à importação de combustíveis diante da alta provocada pelo cenário internacional.

A maior parcela dos recursos é destinada ao óleo diesel, com mecanismos voltados a produtores e importadores.

A política de subsídios já movimentou bilhões de reais. Em setembro, a Petrobras informou ter recebido novas parcelas do programa de subvenção econômica do diesel, somando cerca de R$ 9,5 bilhões em recursos acumulados nos programas relacionados a diesel, gasolina e GLP.

O que influencia o preço na bomba

O preço pago pelo consumidor nos postos não depende apenas do valor cobrado pelas refinarias. A composição inclui custos de produção e importação, margens de distribuição e revenda, transporte e logística, tributos e a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil.

Por isso, alterações nas cotações internacionais do petróleo não são necessariamente repassadas de forma imediata ou na mesma proporção ao consumidor.

A ANP mantém acompanhamento semanal dos preços de revenda do diesel, diesel S-10, gasolina, etanol, GNV e GLP em diferentes regiões do país.