Partido pede doações de R$ 13 por Pix até 11 de novembro; coordenador financeiro afirma que ainda há compromissos a pagar, apesar dos valores já declarados ao TSE
O Partido dos Trabalhadores (PT) iniciou uma campanha de arrecadação pela internet para levantar R$ 7 milhões e quitar despesas relacionadas à disputa presidencial de 2026. A legenda pede contribuições de R$ 13 por Pix, valor que faz referência ao número utilizado pelo partido nas urnas. A mobilização ocorre depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tem prazo até quarta-feira (11).
A iniciativa busca reunir recursos para pagar compromissos assumidos durante a campanha. Segundo o coordenador financeiro da candidatura, José de Filippi, o balanço ainda não está fechado e existem despesas pendentes, embora os dados disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indiquem um saldo positivo entre receitas e gastos declarados.
De acordo com os registros da prestação de contas apresentados à Justiça Eleitoral em 3 de novembro, a campanha de Lula declarou aproximadamente R$ 128,6 milhões em receitas e R$ 93,9 milhões em despesas contratadas. Os números, no entanto, ainda podem ser atualizados durante a análise das contas.
A diferença entre os valores declarados e a meta da vaquinha foi apontada pelo coordenador financeiro como resultado de compromissos que ainda precisam ser quitados. O partido afirma que a arrecadação coletiva será utilizada para completar o pagamento das despesas eleitorais.
Maior parte dos recursos veio do fundo eleitoral
A campanha presidencial de Lula recebeu a maior parte do dinheiro por meio de recursos públicos destinados ao financiamento eleitoral. Conforme os dados registrados no TSE, aproximadamente R$ 124 milhões tiveram origem no Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).
O PT recebeu cerca de R$ 615,4 milhões do fundo eleitoral para distribuir entre seus candidatos em 2026. Foi o segundo maior repasse entre as legendas, atrás do Partido Liberal (PL), que recebeu aproximadamente R$ 881,7 milhões. Os valores foram definidos conforme os critérios previstos na legislação eleitoral, que consideram, entre outros fatores, a representação dos partidos no Congresso Nacional.
Além dos recursos partidários, a candidatura de Lula também recebeu contribuições de pessoas físicas e valores arrecadados por financiamento coletivo. A prestação de contas disponível no TSE registra cerca de R$ 2,1 milhões obtidos por meio de vaquinhas virtuais.
O limite de gastos estabelecido para a disputa presidencial de 2026 foi de aproximadamente R$ 88,9 milhões. O valor declarado em despesas contratadas pela campanha de Lula supera esse teto, mas os números precisam ser analisados considerando as regras eleitorais e a prestação de contas final, que ainda será examinada pela Justiça Eleitoral.
Vaquinhas eleitorais são permitidas desde 2017
O financiamento coletivo pela internet pode ser utilizado por candidatos e partidos desde 2017. A modalidade permite que apoiadores contribuam diretamente para campanhas por meio de plataformas autorizadas pela Justiça Eleitoral, respeitadas as regras de identificação dos doadores e prestação de contas.
O PT já recorreu a esse tipo de arrecadação em eleições anteriores. Em 2018, quando Lula teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral, apoiadores organizaram uma campanha de doações que arrecadou cerca de R$ 1,5 milhão. Em 2022, a iniciativa voltou a ser utilizada e reuniu aproximadamente R$ 6,8 milhões.
Nas eleições de 2026, outras candidaturas também recorreram ao financiamento coletivo. Renan Santos, do partido Missão, reuniu cerca de R$ 2,5 milhões, segundo levantamento de plataformas de arrecadação. Flávio Bolsonaro (PL), que disputou o segundo turno contra Lula, também recebeu contribuições de apoiadores e interrompeu a vaquinha depois do resultado eleitoral.
A prestação de contas das campanhas pode ser consultada no sistema DivulgaCandContas, disponível no portal do Tribunal Superior Eleitoral.





















