A cada 2 horas, uma criança é registrada sem o nome do pai em MS

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Cartórios de MS registram 1,9 mil crianças sem o nome do pai em 2026 (Foto: Divulgação)

Estado teve 1.913 registros nessa condição até julho; reconhecimentos de paternidade já superam resultado de 2025

A cada duas horas, em média, uma criança foi registrada em Mato Grosso do Sul sem o nome do pai na certidão de nascimento neste ano. O levantamento da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen) aponta 1.913 registros nessa condição até 28 de julho, o equivalente a cerca de nove crianças por dia.

No sentido oposto, os cartórios do estado contabilizaram 584 reconhecimentos voluntários de paternidade no mesmo período. O número já supera todo o resultado registrado durante 2025, quando foram feitos 568 procedimentos.

Os dados mostram que, embora milhares de crianças continuem sendo registradas anualmente apenas com a identificação materna, o número de reconhecimentos voluntários vem crescendo nos últimos anos.

Mais de 3 mil registros por ano

A série histórica da Arpen mostra que Mato Grosso do Sul registra mais de 3 mil crianças sem o nome do pai por ano desde 2021.

Foram 3.115 registros em 2021, 3.157 em 2022, 3.164 em 2023, 3.045 em 2024 e 3.216 em 2025.

Em 2026, os 1.913 casos contabilizados até 28 de julho já representam uma parcela significativa do volume registrado no ano passado.

Os números, porém, não significam necessariamente que todas essas crianças permanecerão sem o nome paterno no registro civil. O reconhecimento pode ocorrer posteriormente, inclusive quando o filho já é adulto.

Reconhecimentos de paternidade crescem

Enquanto os registros sem o nome do pai permanecem elevados, os reconhecimentos voluntários apresentam trajetória de crescimento.

Mato Grosso do Sul registrou 214 procedimentos em 2021. O número passou para 273 em 2022, 340 em 2023 e 397 em 2024.

Em 2025, foram 568 reconhecimentos.

Somente nos primeiros sete meses de 2026, já foram contabilizados 584, 16 a mais do que em todo o ano anterior. Desde 2021, o estado soma 2.376 reconhecimentos voluntários de paternidade.

A comparação entre os dois indicadores precisa ser feita com cautela. Isso porque o reconhecimento pode ser realizado anos depois do nascimento. Assim, os 584 procedimentos registrados em 2026 podem envolver pessoas que nasceram em anos anteriores.

Campo Grande concentra maior número

Campo Grande também apresenta números expressivos no levantamento.

Desde 2021, foram registrados 677 reconhecimentos voluntários de paternidade na Capital. No mesmo período, 5.053 crianças receberam certidões com apenas o nome da mãe.

Em 2025, Campo Grande registrou 275 reconhecimentos, o maior resultado anual informado pela série histórica para o município.

Dourados aparece com 1.048 reconhecimentos de paternidade desde 2021. No mesmo intervalo, foram 1.973 registros de nascimento somente com a identificação materna.

Já em Ponta Porã, foram contabilizados 17 reconhecimentos e 1.091 certidões apenas com o nome da mãe no período analisado.

Reconhecimento pode ser iniciado pela internet

Desde este ano, o pedido de reconhecimento voluntário de paternidade também pode ser iniciado pela internet. Segundo a Arpen, mais de mil solicitações já foram abertas por meio da ferramenta.

O sistema também permite que a mãe indique o suposto pai quando a criança foi registrada inicialmente apenas com a maternidade estabelecida.

O procedimento é gratuito e pode ser iniciado em qualquer cartório de Registro Civil do país.