Analfabetismo cresce em MS e atinge 87 mil pessoas, aponta IBGE

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Idosos concentram seis em cada dez pessoas que não sabem ler nem escrever no Estado (Foto: AB)

Taxa subiu de 3,7% para 3,9% em um ano, mas Estado segue abaixo da média nacional

Mato Grosso do Sul registrou aumento na taxa de analfabetismo em 2025, interrompendo a sequência de estabilidade observada nos últimos anos. Dados divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 3,9% da população com 15 anos ou mais não sabe ler nem escrever, índice 0,2 ponto percentual superior ao registrado em 2024.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) Educação, o Estado passou de uma taxa de 3,7% para 3,9% em um ano. Com isso, o número de pessoas analfabetas chegou a cerca de 87 mil, aproximadamente 5 mil a mais que no levantamento anterior.

Apesar da alta, Mato Grosso do Sul continua abaixo da média nacional, de 4,9%, e possui a 12ª menor taxa de analfabetismo do país.

Idosos concentram maioria dos analfabetos

O levantamento aponta que o analfabetismo continua fortemente relacionado à idade. Entre os moradores com 60 anos ou mais, 53 mil não sabem ler nem escrever, o que representa 12,3% dessa faixa etária e corresponde a 60,9% de toda a população analfabeta do Estado.

Embora ainda concentrem a maior parcela dos casos, os idosos apresentaram o menor índice da série histórica iniciada em 2016. Naquele ano, a taxa era de 20%, o que representa uma redução de 7,7 pontos percentuais ao longo do período.

Em 2025, pela primeira vez desde o início da pesquisa, a taxa de analfabetismo entre homens idosos (12,8%) superou a das mulheres (11,9%).

Nos demais grupos etários, os índices são menores: 6,6% entre pessoas com 40 anos ou mais, 4,6% na população de 25 anos ou mais e 4,1% entre aqueles com 18 anos ou mais.

Mulheres estudam mais

A pesquisa também mostra que as mulheres mantêm vantagem nos indicadores de escolaridade em Mato Grosso do Sul.

A média de anos de estudo entre pessoas com 25 anos ou mais permaneceu em 10,3 anos, acima da média nacional, de 10,2 anos.

Enquanto as mulheres acumulam, em média, 10,7 anos de estudo, os homens registram 9,8 anos.

A diferença é ainda maior entre jovens de 18 a 24 anos. Nessa faixa etária, 40,2% das mulheres frequentavam instituições de ensino, contra 28,7% dos homens, uma distância de 11,5 pontos percentuais.

Desigualdade racial permanece

Os dados do IBGE também evidenciam diferenças na escolaridade entre os grupos raciais.

Entre pessoas brancas de 18 a 24 anos, a taxa de escolarização chegou a 42,2%. Já entre pretos e pardos, o percentual foi de 28,9%.

O cenário também se reflete no analfabetismo. Entre a população com 15 anos ou mais, a taxa foi de 3,2% entre pessoas brancas e de 4,4% entre pretos e pardos.

Ensino superior e rede pública

O levantamento mostra ainda que o ensino fundamental continua concentrando o maior número de estudantes em Mato Grosso do Sul. Em 2025, cerca de 382 mil pessoas estavam matriculadas nessa etapa, além de aproximadamente 3 mil na Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos (AJA/EJA).

Na comparação entre as redes de ensino, a privada segue predominando apenas na graduação e na pós-graduação. Já a participação da rede pública no ensino superior cresceu ao longo da série histórica, passando de 36 mil estudantes em 2016 para 48 mil em 2025.

No mesmo período, o número de universitários da rede privada caiu de 93 mil para 92 mil.

Os dados fazem parte da PNAD Contínua Educação 2025, divulgada pelo IBGE, que analisa indicadores de alfabetização, escolaridade e frequência escolar em todo o país.