O atual deputado estadual João Henrique Catan (NOVO), de 38 anos, foi oficializado como candidato a governador de Mato Grosso do Sul. Os dados de sua campanha foram publicados na plataforma de prestação de contas da Justiça Eleitoral (Divulgacand).
Natural de Campo Grande, Catan tem o Ensino Superior Completo, graduado em Direito. O candidato declarou R$ 588.097,38 em bens patrimoniais, constituido por depósitos, aplicações e participações em empresas.
Essa é será a quinta disputa eleitoral dele, mas a primeira para o cargo de governador. Foi eleito para deputado estadual em 2018 e reeleito em 2022. Terá como candidato a vice-governador Antônio João Jacinto (NOVO), formando a chapa pura.
Plano de governo
No Plano de Governo anexado no Divulgacand, apresenta uma proposta de gestão baseada na descentralização administrativa, ampliação dos investimentos em infraestrutura e regionalização dos serviços públicos. Com o lema “Coragem para mudar e o MS avançar”, o documento estabelece como prioridade transformar a arrecadação estadual em obras, serviços, oportunidades e melhoria da qualidade de vida.
A proposta parte de uma estratégia territorial que contempla os 79 municípios do Estado e nove regiões, com agendas próprias de desenvolvimento. O plano sustenta que as diferenças entre os territórios exigem políticas específicas, mas integradas a um projeto único de desenvolvimento estadual.
Entre os principais compromissos estão uma grande missão de infraestrutura, um programa permanente de pavimentação e obras estruturantes, a construção de 30 mil moradias, a ampliação da capacidade dos hospitais regionais, a redução de impostos e da burocracia, investimentos em tecnologia e a adoção de mecanismos de transparência para que a população acompanhe gastos, obras e resultados.
Infraestrutura como eixo central
A infraestrutura é apresentada como a principal alavanca do plano. A proposta prevê um ciclo de investimentos já no primeiro ano de governo, abrangendo rodovias estaduais, estradas vicinais, pavimentação urbana, pontes, saneamento, conectividade e outras estruturas consideradas estratégicas para o desenvolvimento regional.
O chamado “MS em Obras” prevê um plano estadual permanente de pavimentação e obras estruturantes, com intervenções definidas a partir de critérios técnicos como déficit de infraestrutura, população beneficiada, segurança, acesso a serviços essenciais, impacto econômico e regional e viabilidade de execução.
A proposta inclui duplicações, pontes, viadutos, contornos, anéis viários, terceiras faixas e acessos urbanos, além da recuperação e manutenção da malha existente. O documento também prevê projetos executivos completos, drenagem integrada, controle tecnológico, fiscalização independente, uso de drones e georreferenciamento e manutenção preventiva.
O cronograma estabelece quatro etapas. Nos primeiros 90 dias, o governo faria um diagnóstico das estruturas críticas e prepararia a carteira de projetos. No primeiro ano, seriam atacados os principais gargalos. O segundo ano seria marcado pela ampliação das frentes de obras nas nove regiões; o terceiro, pela integração dos grandes projetos; e o quarto, pela conclusão das obras prioritárias e preparação do ciclo seguinte.
Pacto com os 79 municípios
Uma das principais mudanças administrativas propostas é o chamado “Pacto 79 Municípios”. A ideia é substituir uma relação baseada em repasses pontuais por uma plataforma permanente de cooperação entre o Estado e as prefeituras.
Cada município teria uma carteira de entregas nas áreas de infraestrutura, saúde, transformação digital, segurança, habitação, saneamento e desenvolvimento econômico. O plano também prevê escritórios regionais de apoio técnico, sistema estadual de informações territoriais, fóruns regionais trimestrais e incentivo a consórcios intermunicipais.
As prioridades seriam definidas por critérios públicos, como população atendida, impacto sanitário, integração logística, vulnerabilidade, potencial produtivo e urgência. Prefeituras com menor capacidade fiscal teriam contrapartidas moduladas para evitar que fiquem excluídas dos programas estaduais.
O plano afirma ainda que os municípios deveriam ter acesso ao governo independentemente de partido ou alinhamento político, com critérios previamente definidos para investimentos e apoio técnico.
Meta de 30 mil moradias
Na área habitacional, a principal meta é viabilizar 30 mil novas moradias até o fim do segundo ano de governo. O plano prevê a combinação de recursos estaduais, programas federais, FGTS, terrenos públicos, contrapartidas municipais e participação privada.
A proposta inclui construção de unidades, aquisição subsidiada, lote urbanizado e substituição de moradias precárias. O documento também prevê antecipar a demanda habitacional em municípios que receberem novas indústrias, polos logísticos e grandes investimentos, com o objetivo de evitar pressão excessiva sobre aluguéis e crescimento urbano desordenado.
As novas unidades deverão ser integradas à infraestrutura urbana, com acesso a saneamento, transporte, escolas, saúde, internet e oportunidades de trabalho. O programa também prevê soluções de eficiência energética, economia de água e, quando viável, geração de energia renovável.
Saúde regional e promessa de zerar filas críticas
Na saúde, Catan propõe um “choque de gestão” concentrado na redução do tempo de espera e na ampliação da capacidade de atendimento fora da Capital.
O plano prevê hospitais regionais funcionando 24 horas, com capacidade para urgência, internação, diagnóstico, cirurgias e especialidades de acordo com as necessidades de cada região. Também estão previstas ampliações de leitos, exames e atendimento especializado onde houver vazios assistenciais.
Uma das metas mais objetivas é zerar, nos primeiros 12 meses, o estoque represado das filas consideradas críticas de consultas, exames e cirurgias. Para isso, o documento propõe uma fila única e consultável, acompanhamento individual dos pacientes e um painel público com número de solicitações, atendimentos realizados e tempo de espera.
O plano também prevê telessaúde, prontuário digital integrado e ações de diagnóstico precoce, especialmente na infância. Crianças com sinais de autismo, deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento teriam prioridade para avaliação, diagnóstico e início do atendimento.
Menos impostos e reformulação do Fundersul
Na área econômica, a proposta central é reduzir alíquotas e taxas, simplificar procedimentos e diminuir a burocracia para empresas e atividades produtivas. O plano também prevê revisão de mecanismos considerados causadores de cobrança em duplicidade ou bitributação.
Outra medida é a reformulação do Fundersul, com a proposta de direcionar os recursos exclusivamente para infraestrutura, transporte, logística e viabilidade da produção. O documento defende que a distribuição considere quanto cada município contribui e produz, ampliando o retorno para as regiões responsáveis pela geração dos recursos.
O modelo de incentivos fiscais também seria reformulado para alcançar pequenos e médios produtores e empreendedores, além dos grandes grupos. A proposta inclui transformar parte dos incentivos em investimentos produtivos, como tecnologia, energia e infraestrutura.
Rota Bioceânica e integração logística
O plano considera a posição geográfica de Mato Grosso do Sul um dos principais ativos para o próximo ciclo econômico. A proposta prevê integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, aeroportos, portos, terminais e estruturas aduaneiras.
A Rota Bioceânica aparece entre os projetos estratégicos, com previsão de adequação de acessos, entroncamentos, estruturas de apoio e segurança viária. O documento também prevê atuação para a modernização da Malha Oeste e para a ampliação da navegabilidade e integração da Hidrovia do Rio Paraguai, conectando Corumbá, Ladário e Porto Murtinho aos demais modais.
A intenção é associar os grandes corredores logísticos ao desenvolvimento dos municípios diretamente impactados, estimulando serviços de armazenagem, manutenção, transporte e distribuição, além de qualificação profissional e maior participação de empresas locais.
Educação, tecnologia e juventude
Na educação, o plano propõe qualificar o ensino em tempo integral, recuperar a aprendizagem, ampliar a conectividade das escolas e fortalecer a formação de professores.
A formação técnica seria vinculada às vocações econômicas de cada território, incluindo agroindústria, logística, turismo, tecnologia, saúde, indústria e bioeconomia. A proposta também prevê levar cursos de qualificação ao interior e aproximar escolas, instituições de ensino e setor produtivo para ampliar estágios, primeiro emprego e formação prática.
Para os jovens, estão previstas ações de robótica, ciência aplicada, inovação, cultura maker, empreendedorismo e formação digital. O documento também inclui medidas para combater a evasão escolar e ampliar as conexões entre estudantes, universidades, empresas e instituições de pesquisa.
Governo digital e segurança
O plano prevê a criação de um aplicativo único do Estado para reunir serviços como documentos, protocolos, saúde, matrícula, benefícios, acompanhamento de obras e segurança.
Também estão previstas integração digital entre Estado e municípios, internet de alta velocidade, sistemas de videomonitoramento e utilização de big data, inteligência artificial e internet das coisas na administração pública.
Na segurança pública, a proposta inclui observatório de dados para prevenção e investigação, videomonitoramento, leitura de placas, centros integrados de comando e fortalecimento da atuação das forças de segurança no interior.
A fronteira e as áreas rurais recebem atenção específica, com integração entre forças estaduais e federais, patrulhamento rural e ações contra crime organizado, crimes ambientais, roubo de cargas e furtos em propriedades rurais.
Transparência e controle dos gastos
Outro eixo do plano é a mudança na forma de acompanhar a administração pública. A proposta prevê metas por área, monitoramento de obras e contratos e um painel público com prazos, custos, andamento e resultados das principais ações.
O documento também propõe rastrear os recursos públicos desde a previsão orçamentária até a entrega, revisar despesas e contratos, combater desperdícios e priorizar investimentos conforme impacto social e econômico, urgência e capacidade de execução.
A população também teria participação na avaliação dos serviços e políticas públicas. Segundo a proposta, reclamações recorrentes deveriam gerar respostas e correções por parte dos órgãos responsáveis.
Um Estado dividido em nove missões regionais
Na estratégia territorial, o plano organiza Mato Grosso do Sul em nove regiões: Campo Grande, Grande Dourados, Bolsão, Cone Sul, Pantanal, Norte, Leste, Sudoeste e Sul-Fronteira.
Cada território teria uma missão estratégica vinculada às suas características econômicas e sociais. Campo Grande seria fortalecida como centro de alta complexidade em saúde, tecnologia, logística e serviços avançados. A Grande Dourados teria foco em agroindustrialização, inovação e emprego qualificado, enquanto o Bolsão seria preparado para a expansão industrial, com investimentos em logística, energia, qualificação e saúde regional.
Para a Sul-Fronteira, a proposta é ampliar a presença do Estado e transformar a localização estratégica da região em vantagem econômica, combinando segurança de fronteira, corredores estruturantes, integração produtiva, tecnologia, saúde regional e formação profissional.
Ao apresentar a divisão regional, o documento estabelece como princípio que o Estado deve atuar de maneira integrada, mas sem aplicar necessariamente as mesmas soluções a todos os territórios.
Proposta de mudança na relação entre Estado e população
O plano de João Henrique Catan estrutura sua proposta para 2027-2030 em torno da ideia de um Estado mais presente nos municípios, com investimentos concentrados em infraestrutura, saúde regional, habitação, educação, segurança e desenvolvimento econômico.
A promessa central é combinar grandes obras com planejamento municipal, metas, cronogramas e mecanismos de acompanhamento público. A estratégia busca fazer com que o cidadão não apenas saiba quanto o Estado arrecada e investe, mas consiga identificar o que foi entregue e qual resultado produziu.
O documento resume essa visão na defesa de um Mato Grosso do Sul planejado a partir das nove regiões, com os 79 municípios integrados a uma mesma estratégia de desenvolvimento.





















