Laerte espera curtir os frutos de tamanha dedicação à carreira

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(Foto: divulgação TJ-MS)

Laerte Cezar Gonçalves é um homem trabalhador. Com carteira assinada desde os 13 anos de idade, ele aprendeu cedo o ofício de marcenaria, sabendo fazer vários tipos de móveis e armários. Surgiu então uma vaga no Tribunal de Justiça para artífice de carpintaria e Laerte, com 25 anos de idade e uma família constituída, não pensou duas vezes e candidatou-se. Aprovado, foi contratado em fevereiro de 1989, iniciando sua carreira no Judiciário.

“Eu ficava no Núcleo de Engenharia. Soldava cadeiras, trocava estofamentos, consertava mobiliários que estragavam, entre outros serviços. Viajava muito para as comarcas do interior nessa época para fazer essas mesmas coisas. E foi assim até o ano 2000, quando extinguiram a função”, conta Laerte.

Os mais de 10 anos de trabalho para a Justiça, porém, garantiram várias amizades ao trabalhador, que foi logo em seguida contratado pelo Sindijus para ser prestador de serviços gerais. Embora não totalmente fora do Judiciário, Laerte tinha o desejo de retornar ao quadro do Tribunal. Assim, quando saiu o próximo concurso, ele prestou e passou.

Nesse recomeço, o servidor foi trabalhar na mudança do prédio antigo para o novo do Fórum de Campo Grande. Após a inauguração em outubro de 2002, Laerte prestou seus serviços em vários setores. Por um período, ficou como motorista responsável por conduzir um caminhão plataforma para buscar carros apreendidos em delegacias e levá-los até o depósito judicial do TJ, no Parque dos Poderes. Depois trabalhou no setor de transportes, também como motorista.

“Foi nessa época que aconteceu uma situação bem complicada. Nós fomos fazer uma busca de menor no bairro Aero Rancho e fomos até o endereço que estava no mandado. Quando chegamos lá, fomos recebidos pelo avô do menor que disse que ele estava no colégio e que podíamos ir lá. Nós fomos até a escola, mostramos o mandado para a professora e pegamos o menor. Mas quando estávamos indo embora, a mãe e o pai apareceram e começaram a nos perseguir. Tivemos que entrar correndo na viatura e sair de lá o mais rápido possível porque eles não queriam que a gente levasse o menor e começaram a apedrejar o carro”.

Depois de algum tempo, Laerte finalmente voltou ao Núcleo de Engenharia, onde está até hoje. Ele conta que após a terceirização, seu serviço é mais de gestão do que propriamente de conserto. “A manutenção em si não fazemos mais, mas providenciamos tudo para que ela seja feita pelas empresas contratadas, principalmente mudanças de paredes, pinturas, móveis com problemas. As pessoas nos procuram quando têm algum problema e nós resolvemos”.

Com 60 anos de idade e 47 de serviço, Laerte já está em abono de permanência, esperando, segundo ele, “uma melhora das condições para aposentar melhor”. Indagado sobre o que pretende fazer, o trabalhador de uma vida inteira não gagueja para responder: “nada! Eu espero não fazer nada! Já fiz demais!”, ri da própria ênfase. “Trabalhei a vida inteira sem nunca parar. Passei por algumas cirurgias, pela covid. Agora quero segurar a onda um pouco. Só relaxar, ir para a beira de um córrego pescar, pra praia. Quero curtir minha aposentadoria ao lado da minha mulher”.

Texto: Ascom TJ-MS