Lula embarca para o G7 na França e pode ter encontro informal com Trump

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(Presença de Lula e Trump no G7 abre possibilidade de conversa entre os líderes (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Governo brasileiro não prevê reunião bilateral, mas admite possibilidade de conversa nos bastidores do evento

Com embarque previsto para este domingo (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia agenda internacional na França para participar da cúpula do G7, em meio a expectativas diplomáticas que incluem a possibilidade de um encontro informal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante os bastidores do evento.

A viagem ocorre em um contexto em que, apesar de não haver pedido oficial para reunião bilateral entre os dois líderes, integrantes do governo brasileiro admitem que há chance de uma aproximação não programada, como conversas rápidas em corredores ou durante sessões de trabalho. Segundo apuração da RECORD, esse tipo de interação já ocorreu anteriormente, como na Assembleia Geral da ONU no ano passado.

No Planalto, a avaliação é de que a dinâmica do evento favorece esse tipo de contato, já que as salas de reunião são menores e os chefes de Estado participam de atividades simultâneas. Ainda assim, não há previsão de agenda protocolar entre Lula e Trump.

A data da cúpula também chama atenção: o encontro do G7 foi ajustado para permitir a participação de Trump após as comemorações de seu aniversário, que acontecem neste domingo. Do lado brasileiro, a leitura é de que não há urgência para uma nova reunião formal, uma vez que já está em andamento um grupo de trabalho voltado às tarifas comerciais entre os países.

Pauta brasileira no G7

Durante o fórum das principais economias do mundo, Lula deve adotar um tom crítico ao sistema financeiro internacional, com discursos voltados ao que classifica como juros elevados e enfraquecimento do multilateralismo. A expectativa é de que o presidente também defenda maior prioridade para investimentos em desenvolvimento, em detrimento de gastos com conflitos armados.

No campo econômico, o governo brasileiro pretende usar a recente queda no desmatamento como argumento para contestar o chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos. A estratégia é reforçar dados ambientais positivos como forma de pressionar setores produtivos norte-americanos a atuarem internamente pela revisão das tarifas.

Apesar disso, o Brasil já sinalizou que o etanol não será incluído em negociações como moeda de troca.

Além da agenda com Trump, Lula tem reuniões bilaterais confirmadas com os presidentes da França e do Japão. Também estão previstas conversas sobre possíveis avanços no acordo comercial entre Mercosul e Japão, além de discussões sobre o embargo da carne brasileira na União Europeia.

Recordação de encontro na ONU

A última interação entre Lula e Trump ocorreu durante a Assembleia Geral da ONU, quando ambos se cruzaram rapidamente antes das sessões principais. Na ocasião, o presidente norte-americano afirmou que houve uma “química excelente” entre os dois, descrevendo o encontro como breve, mas positivo.

O governo brasileiro aposta agora na via diplomática e no diálogo multilateral para tentar conter o avanço de tarifas e manter abertas as negociações comerciais com os Estados Unidos.