Minha história: Alcírio é prova do trabalho bem-feito que garante um futuro despreocupado

294
(Foto: divulgação Ascom TJ-MS

“Como eu vim parar no Tribunal de Justiça? O que eu posso dizer é que é uma longa história!”, começa Alcírio Glagau Vieira, que aos 23 anos de idade entrou para o quadro de colaboradores da Corte como motorista. De lá pra cá, já são 30 anos de serviços prestados e muitas amizades pelo caminho.

Alcírio conta que desde os 19 anos já trabalhava como motorista do táxi que pertencia a seu pai e conseguia uma boa renda com isso. Até que um primo bem próximo, que era contratado do TJMS e trabalhava como motorista do Desembargador Milton Malulei, avisou-o de uma nova vaga para a mesma função e insistiu para que se candidatasse. “Naquele tempo, os motoristas eram contratados pela CLT e não tinha concurso. Você só precisava fazer um teste psicotécnico no próprio Tribunal e uma prova prática no Detran. Eu fiz as duas e passei. Assumi a vaga em junho de 1992”.

Como já estava acostumado a dirigir pelas ruas da Capital, Alcírio destacou-se muito rápido na nova ocupação. Embora tenha começado nos serviços gerais, levando psicólogos e assistentes sociais para realizarem suas visitas, logo foi chamado pelo chefe do setor do Malote para ser o responsável por recolher e levar processos aos gabinetes dos Desembargadores.

“Nessa época, o Desembargador Oswaldo Rodrigues de Melo tomou posse como vice-presidente e um dia precisou de um motorista para levá-lo até uma solenidade em que representaria o presidente, o Desembargador Nelson Mendes. Eu atendi o Desembargador e ele gostou muito do meu serviço. Logo depois, ele já me solicitou para o chefe do Malote que, no começo, não queria me deixar ir, mas como o Desembargador Oswaldo insistiu, ele acabou aceitando”.

Naquele momento começou uma relação de respeito e amizade que dura até hoje. Alcírio continuou a trabalhar diretamente com o Desembargador Oswaldo até que este se aposentou em 2015 e, vez ou outra, ainda presta algum serviço particular para o amigo e sua família.

Quando deram baixa na sua carteira de trabalho em 1998, Alcírio assumiu o cargo de agente de segurança de Desembargador e por 22 anos seguiu trabalhando com o Desembargador Oswaldo. Período em que o servidor conseguiu terminar os estudos básicos, formou-se técnico em contabilidade e aproveitou para aprender muito mais do que sua função exigia.

“No ano de 2000 construíram os gabinetes dos Desembargadores e cada um deles tinha uma sala de entrada onde ficava o oficial de gabinete na época. Era para eu ficar com os outros motoristas, mas o Desembargador fez questão que eu ficasse nessa sala da frente. Aí quando veio a informatização, os processos digitais, eu achei muito interessante aquilo tudo e comecei a aprender para ajudar. Fui ficando cada vez mais útil no gabinete, auxiliando no que podia e aprendi bastante de movimentação de processos, de andamento processual”.

Todavia não foi somente no gabinete que Alcírio destacou-se. Em 2002, ele e alguns amigos decidiram, durante uma partida de futebol em Bodoquena pelo Sindijus, candidatarem-se à diretoria do mesmo sindicato. A chapa criada foi a vencedora e ele posto como Diretor Social do Sindijus. “No biênio seguinte fui eleito presidente. O primeiro e único em cargo em comissão porque depois de mim criaram uma regra que comissionados não poderiam ser presidente do sindicato. Mas no próximo biênio eu concorri de novo, mas como tesoureiro, e fui eleito. Fiquei ao todo seis anos. Foi uma época muito boa e de bastante trabalho”.

Toda dedicação não somente no trabalho mas também com os colegas valeram a pena. Quando o Desembargador Oswaldo se aposentou, o servidor conseguiu uma vaga no gabinete do Desembargador Eduardo Machado Rocha, onde todo o conhecimento adquirido ao longo de tantos anos de prática jurídica foi valioso.

Há apenas dois anos para completar o tempo para aposentadoria, Alcírio tem planos de pegar seu carro e ir embora com a família para o litoral catarinense. “Nas minhas férias eu sempre vou com minha família pra lá. Eu, minha esposa, meus dois filhos e meu neto. Quando me aposentar, pretendo fazer essa viagem definitiva. Ir para ficar!”.

Fonte: série do TJ-MS