Projeto Renascer une ensino de música e religiosidade em presídio da Capital

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Publicado em 14/04/2018 12h53

Projeto Renascer une ensino de música e religiosidade em presídio da Capital

Da redação

Com foco na reintegração social de detentos, o Centro de Triagem “Anízio Lima”, na capital, deu início ao “Projeto Musical Renascer”, que visa unir o ensino da arte da música e a assistência religiosa. A ação é uma parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e o Departamento de Capelania da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Missões (IEADM).

A aula inaugural foi realizada ontem (13). Inicialmente, 20 internos participarão da iniciativa, que consiste na realização de aulas de instrumentos de sopro para reeducandos da unidade penal. O ensino será uma extensão às atividades musicais que já são desenvolvidas no presídio com a banda “Ressocializandos”.

Durante a solenidade de abertura, o diretor da unidade e coordenador do projeto, Alírio Francisco do Carmo, classificou o trabalho, a educação e a espiritualidade como pilares da ressocialização. “Todos os dias prestamos assistência religiosa aos internos, independente da religião e tem sido uma ferramenta transformadora”, afirmou, agradecendo a toda a equipe de servidores que contribuem para que a humanização da pena aconteça na unidade.

Apesar de ser realizado em parceria com a Igreja Assembleia de Deus Missões, Francisco destacou que o projeto “não tem placa” e é aberto a todos que quiserem buscar uma transformação de vida através da música e da fé em Deus.

Os três primeiros meses serão de aulas teóricas e posteriormente os internos aprenderão na prática todo o conhecimento adquirido. Por meio de doação da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Missões, o curso terá um investimento total de R$ 12 mil. As aulas serão ministradas uma vez por semana pelo pastor maestro João Telles.

O diretor do Departamento de Capelania da IEADM, pastor Ivanaldo Ferrreira dos Santos, ressaltou que a música é uma ferramenta maravilhosa para trabalhar a alma, o íntimo, o caráter e a espiritualidade do ser humano. “Acredito na ressocialização dessas pessoas e também no potencial desse projeto; inclusive esse curso pode servir para a vida profissional dos internos quando voltarem a sociedade”, defendeu. “Portanto, é uma grande oportunidade”, complementou.

Preso há mais de 16 anos, o interno Éder Neves, 35 anos, destacou que a música representa para ele uma profissão e uma forma de expressar sua fé. “Aqui no Centro de Triagem tive a oportunidade de conhecer Jesus, hoje sou um servo de Deus e temente ao Senhor. Só tenho a agradecer por esta chance de poder fazer esse curso musical, que para mim vai ser muito bom e acredito que é uma forma de ressocialização que todo preso deveria participar”, disse o interno.

Músico desde os 13 anos, o reeducando Fernando Henrique da Silva Chuvas, 28 anos, sabe tocar diversos instrumentos como violão, baixo, bateria, guitarra, pandeiro e cavaquinho. “Eu sempre quis aprender a tocar trompete e agora essa vai ser a oportunidade que eu precisava”, completou.

O interno acredita que a música estimula, inspira, traz paz, conforto e transmite a felicidade para pessoas. “Aqui dentro a música preenche a minha mente, me traz pensamentos positivos, e vai me trazer conhecimento, que é a única coisa que ninguém pode tirar de mim”, concluiu o interno que pretende continuar a profissão de músico assim que sair da prisão.

Em discurso, o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, parabenizou a iniciativa e destacou as diversas ações de ressocialização que são desenvolvidas nos presídios do Estado. “A assistência religiosa oportuniza mudanças de valores e de comportamentos em qualquer ser humano, por isso apoiamos parcerias como essas, porque acreditamos na recuperação dos detentos”, finalizou o dirigente.

A intenção é que o projeto possa ser expandido para todas as unidades do Complexo Penitenciário do Jardim Noroeste, dando oportunidade para que reeducandos de outros estabelecimentos prisionais, com perfil adequado, possam participar.

Banda Ressocializandos participa do projeto. Divulgação