Ex-governador de Goiás disputa o Palácio do Planalto pela segunda vez e aposta na segurança pública como principal bandeira da campanha
O PSD realiza neste domingo (26) a convenção nacional que vai oficializar a candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República nas eleições de 2026. Médico por formação, Caiado volta a disputar o Palácio do Planalto 37 anos após sua primeira candidatura presidencial e tenta consolidar seu nome como uma alternativa no campo da centro-direita.
Natural de Anápolis (GO), Ronaldo Ramos Caiado nasceu em 1949, é médico ortopedista formado pela antiga Escola de Medicina e Cirurgia, atualmente vinculada à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ). Casado com Gracinha Caiado, pré-candidata ao Senado por Goiás, é pai de quatro filhos.
Primeira disputa presidencial e carreira no Congresso
A estreia de Caiado na política aconteceu em 1989, quando concorreu pela primeira vez à Presidência da República pelo então PSD. Na ocasião, terminou a disputa em décimo lugar e declarou apoio a Fernando Collor no segundo turno.
A campanha ficou marcada por embates com Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em um dos debates, Lula afirmou que só faria perguntas a Caiado quando ele alcançasse determinado percentual nas pesquisas eleitorais.
No ano seguinte, Caiado foi eleito deputado federal por Goiás como o candidato mais votado do estado. Após divergências partidárias, passou pelo PFL, legenda pela qual conquistou novos mandatos na Câmara dos Deputados. Em 2010, já no Democratas (DEM), voltou ao Congresso e consolidou sua atuação como uma das principais lideranças da bancada ruralista e opositor dos governos petistas.
Do Senado ao governo de Goiás
Em 2014, Caiado foi eleito senador por Goiás. Durante o mandato, liderou a bancada do Democratas no Senado e participou das articulações políticas que culminaram no impeachment da então presidente Dilma Rousseff.
Quatro anos depois, venceu a eleição para o Governo de Goiás ainda no primeiro turno, com mais de 1,7 milhão de votos. Em 2022, foi reeleito ao cargo ao lado do vice Daniel Vilela (MDB).
Durante sua gestão, enfrentou críticas após nomear familiares para cargos na administração estadual, entre eles parentes próximos em órgãos estratégicos do governo.
Mudança de partido e nova pré-candidatura
No início de 2025, Caiado anunciou sua intenção de disputar novamente a Presidência pelo União Brasil. Entretanto, as negociações envolvendo uma possível federação entre União Brasil e PP dificultaram a consolidação de sua candidatura dentro da legenda.
Diante do cenário, deixou o partido e retornou ao PSD. A sigla avaliava outros nomes para a disputa presidencial, como os governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), antes de optar por oficializar Caiado como candidato.
Segurança pública como principal bandeira
Nos últimos meses, Caiado passou a concentrar seu discurso em temas ligados à segurança pública, buscando ampliar sua projeção nacional.
Entre as propostas defendidas está a equiparação de facções criminosas a organizações terroristas, além do fortalecimento das ações de combate ao crime organizado. Também se posicionou contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública apresentada pelo governo federal e participou das discussões sobre o chamado PL Antifacção.
Ao mesmo tempo, adotou um discurso em defesa da autonomia dos estados, do fortalecimento das instituições democráticas e da pacificação política. Após os ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, condenou publicamente os atos e reafirmou compromisso com o Estado Democrático de Direito.
Aproximação com o eleitorado conservador
Com o avanço do calendário eleitoral de 2026, Caiado intensificou o diálogo com o eleitorado conservador, defendendo pautas como segurança pública, propriedade privada e críticas à chamada ideologia de gênero.
Apesar da estratégia para ampliar apoio entre eleitores de direita, também protagonizou trocas de críticas com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma das manifestações públicas, ironizou declarações do parlamentar sobre as urnas eletrônicas durante encontro com embaixadores, afirmando que a reunião poderia ter sido utilizada para discutir investimentos e ampliar mercados para o Brasil.
Família tradicional na política goiana
A trajetória política de Ronaldo Caiado está ligada a uma das famílias mais tradicionais de Goiás.
Ele é neto de Antônio Ramos Caiado, conhecido como Totó Caiado, que exerceu os cargos de deputado federal, senador e interventor no estado durante a Primeira República. Também é primo do ex-governador Leonino Di Ramos Caiado e tem outros familiares que ocuparam cargos de destaque na política goiana ao longo das últimas décadas.
Processo por abuso de poder foi revertido
Em dezembro de 2024, Caiado chegou a ser condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder político durante as eleições municipais de Goiânia, decisão que previa sua inelegibilidade por oito anos.
A ação apontava o uso do Palácio das Esmeraldas para eventos de campanha em favor do então candidato à prefeitura Sandro Mabel.
Em abril de 2025, entretanto, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás reverteu, por unanimidade, a decisão e afastou a inelegibilidade do ex-governador. Posteriormente, a ação deixou de ser levada adiante no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), encerrando o processo.
Com a convenção deste domingo, Ronaldo Caiado inicia oficialmente sua segunda campanha à Presidência da República, agora representando o PSD, na disputa pelas eleições de outubro de 2026.





















