Indecisos dobram e Flávio Bolsonaro perde força na disputa presidencial

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Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro (Foto: SEAUD/PR e Vittor Sales/Divulgação)

Pesquisa mostra crescimento do número de eleitores sem candidato definido, enquanto Lula mantém liderança estável; campanha eleitoral é vista como decisiva para disputa

O cenário da corrida presidencial de 2026 ficou mais indefinido nas últimas semanas. Pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostra que o percentual de eleitores que ainda não sabem em quem votar no primeiro turno mais que dobrou desde maio, passando de 5% para 11%, movimento que coincide com a perda de intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

No levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 40% das intenções de voto, mantendo desempenho estável em relação às pesquisas anteriores. Já Flávio Bolsonaro caiu de 33% para 28% desde maio.

Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, os dados indicam que os votos perdidos por Flávio não migraram para Lula nem para outros pré-candidatos do campo da direita. Na avaliação dele, esses eleitores passaram, por enquanto, a integrar o grupo dos indecisos.

“Quem cresce neste momento é a indecisão. Há eleitores que observam a melhora da avaliação do governo, mas não caminham para Lula. Ao mesmo tempo, se afastam de Flávio Bolsonaro sem identificar outra alternativa viável para a disputa”, afirmou Nunes.

Caso envolvendo documentário antecedeu queda nas pesquisas

A redução nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro ocorre após a repercussão do caso envolvendo o documentário “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em maio, reportagens revelaram que o senador buscou apoio financeiro junto ao empresário Daniel Vorcaro para viabilizar a produção do filme. Inicialmente, Flávio negou as informações, mas depois confirmou ter solicitado recursos, afirmando que a captação era privada e realizada dentro da legalidade.

Para analistas da Quaest, o episódio contribuiu para o desgaste da imagem do pré-candidato durante a pré-campanha.

Candidatos da direita ainda enfrentam baixa visibilidade

A pesquisa também aponta que outros nomes cotados para representar a direita ainda são pouco conhecidos pelo eleitorado.

Segundo o levantamento, 44% dos entrevistados disseram não conhecer Ronaldo Caiado (PSD), 50% afirmaram desconhecer Romeu Zema (Novo) e 77% responderam não conhecer Renan Santos (Missão).

Na avaliação de Felipe Nunes, o início oficial da campanha eleitoral, previsto para 16 de agosto, poderá ser decisivo para aumentar a visibilidade desses candidatos por meio de entrevistas, debates e propaganda eleitoral.

Outra pesquisa da Quaest divulgada nesta sexta-feira (17) mostra que 63% dos eleitores pretendem acompanhar entrevistas e propostas dos candidatos, enquanto 87% afirmam não ter interesse em participar de grupos de WhatsApp voltados à discussão política.

Convicção do eleitor de Flávio diminui

O levantamento também mediu o grau de segurança dos eleitores em relação ao voto.

Entre os entrevistados que afirmam votar em Flávio Bolsonaro, aumentou o percentual daqueles que admitem mudar de escolha: o índice passou de 30% em junho para 37% em julho.

Já os que afirmam ter uma decisão definitiva recuaram de 70% para 62%.

Entre os eleitores de Lula, ocorreu o movimento oposto. O percentual dos que dizem estar decididos a votar no presidente subiu de 71% para 77%, enquanto aqueles que admitem mudar de candidato caiu de 29% para 23%.

Para Felipe Nunes, os dados indicam um momento de fortalecimento da posição de Lula e de perda de consistência do apoio a Flávio Bolsonaro, embora ressalte que pesquisas eleitorais retratam apenas o cenário no momento da coleta das entrevistas.

Aprovação do governo cresce, mas intenção de voto permanece estável

Nos últimos quatro meses, a aprovação do governo Lula aumentou de 43% para 48%, segundo a Quaest.

De acordo com o diretor da pesquisa, fatores como a implementação do programa Desenrola 2.0, o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil contribuíram para melhorar a avaliação da gestão federal.

Apesar disso, a melhora na aprovação ainda não se refletiu em crescimento significativo nas intenções de voto.

Na pesquisa de primeiro turno, Lula permanece em torno de 40% desde fevereiro. Nos cenários simulados de segundo turno, o presidente aparece com aproximadamente 45% das intenções de voto contra os diferentes adversários testados, índice que também se mantém estável ao longo dos últimos meses.