
Senadores querem imprimir “marca própria” no texto aprovado pela Câmara dos Deputados
A tramitação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho deve ganhar um novo capítulo no Senado Federal. Nos bastidores, senadores articulam mudanças no texto aprovado pela Câmara para que a Casa também tenha protagonismo na proposta, considerada de forte apelo popular.
Interlocutores do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmam que ainda não há definição sobre o calendário de votação da matéria. Apesar disso, a avaliação entre aliados é de que a proposta deve avançar antes das eleições, como deseja o governo federal.
A estratégia no Senado é evitar que a Casa apenas confirme o texto aprovado pelos deputados. Senadores defendem a inclusão de alterações na PEC para que o avanço da proposta também seja associado politicamente ao Senado, especialmente em um momento em que dois terços das cadeiras estarão em disputa nas próximas eleições.
Além da renovação no Congresso, pesa na articulação o interesse de parlamentares que pretendem disputar governos estaduais e buscam se vincular a pautas de grande repercussão popular.
O governo federal tem intensificado as conversas com Alcolumbre para acelerar a tramitação da proposta. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, está entre os principais articuladores do diálogo com o presidente do Senado.
Mesmo sem indicar publicamente qual será o ritmo da análise, Alcolumbre tem dito a interlocutores que pretende ouvir representantes de diferentes setores antes de tomar uma decisão sobre a votação.
A pressão contrária ao avanço rápido da PEC também começou a ganhar força. Na terça-feira (27), empresários se reuniram com o presidente do Senado e pediram o adiamento da discussão da matéria. O grupo argumenta que a redução da jornada de trabalho pode gerar impactos econômicos para empresas e setores produtivos.
Segundo aliados de Alcolumbre, o senador tem mantido postura cautelosa nas conversas e evitado antecipar qualquer posicionamento. A interlocutores, ele afirmou que irá ouvir todos os lados envolvidos no debate antes de definir os próximos passos da proposta.
A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados em dois turnos e reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, além de prever dois dias de descanso remunerado por semana sem redução salarial. O texto agora depende da análise dos senadores para continuar avançando no Congresso.




















