Semana decisiva: Brasil aguarda decisão dos EUA sobre tarifa de 25% contra exportações

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - (Foto: Reprodução/CanalGov)

Governo mantém negociações com representantes americanos e prepara reação caso a sobretaxa seja confirmada

O governo federal inicia uma semana considerada decisiva nas negociações comerciais com os Estados Unidos. Até quarta-feira (15), a administração norte-americana deverá anunciar se manterá a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, medida que pode impactar as exportações do país e ampliar as tensões entre Brasília e Washington.

A expectativa do Palácio do Planalto é realizar uma última rodada de conversas com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), liderado por Jamieson Greer, antes do encerramento do prazo legal da investigação conduzida com base na chamada “Seção 301”. O encontro será o quinto entre representantes dos dois governos desde o início das tratativas.

Na última sexta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros para definir a estratégia brasileira diante da reta final das negociações. Segundo integrantes do governo, o cenário considerado mais provável continua sendo a confirmação da tarifa de 25%, diante do histórico das negociações e das recentes declarações de autoridades norte-americanas.

Em entrevista na semana passada, Jamieson Greer afirmou que Brasil e Estados Unidos ainda estão distantes de um acordo e que a decisão será anunciada dentro do prazo previsto.

Mesmo diante desse cenário, o governo brasileiro decidiu manter a estratégia de negociação técnica, sem aceitar concessões consideradas incompatíveis com os interesses nacionais. Entre os temas fora de negociação estão medidas relacionadas ao Pix e alterações em políticas consideradas estratégicas pelo Planalto.

Plano brasileiro busca reduzir impactos

Como parte da tentativa de evitar a sobretaxa, o Brasil apresentou aos Estados Unidos um conjunto de propostas para responder às preocupações levantadas na investigação da Seção 301. O documento aborda seis áreas analisadas pelos norte-americanos, incluindo questões ligadas ao combate à corrupção, propriedade intelectual e meio ambiente.

Além disso, o governo brasileiro sinalizou a possibilidade de reduzir tarifas de importação em cerca de 300 linhas tarifárias. Como as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) impedem benefícios exclusivos a um único país, a eventual redução seria estendida a outros parceiros comerciais em segmentos específicos.

Empresas americanas pressionam por exceções

Outro fator acompanhado pelo governo brasileiro é a pressão exercida por empresas e associações dos Estados Unidos. Segundo o Itamaraty, ao menos 43 entidades solicitaram à Casa Branca que determinados produtos brasileiros fiquem de fora das novas tarifas, alegando que não existem fornecedores equivalentes no mercado norte-americano.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que, caso a taxação seja confirmada, Washington poderá ampliar a lista de exceções para reduzir impactos em setores considerados estratégicos para a economia dos próprios Estados Unidos.

Reação dependerá do anúncio americano

Caso as tarifas sejam oficializadas, o governo brasileiro pretende divulgar uma manifestação formal criticando a decisão e classificando a medida como injustificada. Em seguida, equipes técnicas devem analisar os detalhes da decisão para definir os próximos passos.

Entre as alternativas está a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, regulamentada pelo governo federal, que permite ao Brasil adotar medidas contra países que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais aos interesses nacionais.

Embora um adiamento da decisão ainda seja tratado como possibilidade, integrantes do governo avaliam que essa hipótese é remota, já que autoridades norte-americanas têm reiterado que o prazo da investigação termina em 15 de julho e dificilmente será alterado.

A decisão dos Estados Unidos poderá influenciar diretamente o comércio bilateral e afetar setores exportadores brasileiros, especialmente aqueles com forte presença no mercado norte-americano.