Fraude no INSS, Banco Master e tarifaço dos EUA devem dominar campanha eleitoral

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Urna eletrônica (Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE)

A 70 dias das eleições, escândalos e temas econômicos prometem pautar os debates entre os pré-candidatos à Presidência

Com o início da reta decisiva para as eleições de 2026, temas que marcaram o cenário político e econômico do país nos últimos meses tendem a ganhar espaço nos discursos dos candidatos e nos embates eleitorais. Entre os assuntos que prometem dominar a campanha estão a fraude bilionária no INSS, o escândalo envolvendo o Banco Master e a disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Faltando cerca de 70 dias para o primeiro turno, especialistas avaliam que esses episódios devem ser usados pelos postulantes ao Planalto para reforçar críticas aos adversários, defender propostas e disputar a narrativa sobre responsabilidade política e econômica.

Fraude no INSS virou um dos principais desgastes do governo

O escândalo dos descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) veio à tona em abril de 2025 e provocou forte repercussão política.

As investigações começaram ainda em 2023, quando a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou um crescimento atípico no número de associações autorizadas a descontar valores diretamente dos benefícios previdenciários. Em parceria com a Polícia Federal, foi deflagrada a Operação Sem Desconto.

Segundo as investigações, o prejuízo estimado chega a cerca de R$ 6,3 bilhões.

Entre os investigados estava o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, além de outros servidores afastados por decisão judicial.

Ao longo da apuração, o governo federal afirmou que os responsáveis seriam punidos e buscou desvincular a administração das irregularidades. Ainda assim, o caso passou a ser explorado politicamente por adversários e também motivou a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional.

Durante as investigações, o nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, também apareceu em apurações relacionadas ao caso. Convocado para prestar esclarecimentos à comissão, ele não compareceu.

Caso Banco Master amplia debate sobre corrupção

Outro tema que deve aparecer frequentemente durante a campanha é o caso do Banco Master.

A instituição passou a ser investigada por suspeitas de um esquema bilionário envolvendo fraudes financeiras relacionadas à emissão e negociação de títulos de crédito.

As investigações ganharam força após tentativas de aquisição do banco pelo BRB e pela Fictor Holding Financeira não avançarem diante da atuação do Banco Central.

O empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição, foi preso sob suspeita de crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e intimidação.

O caso também alcançou o cenário político após reportagens apontarem que recursos ligados ao Banco Master teriam sido destinados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O senador Flávio Bolsonaro teve seu nome relacionado ao episódio após a divulgação de mensagens e áudios sobre a captação de recursos para a produção. O parlamentar nega qualquer irregularidade.

O Supremo Tribunal Federal autorizou a abertura de inquérito para investigar a origem dos recursos destinados ao projeto audiovisual.

Tarifaço dos Estados Unidos também entra na disputa política

A política comercial adotada pelo governo norte-americano também deve figurar entre os principais temas eleitorais.

Em 2025, os Estados Unidos anunciaram uma série de tarifas sobre produtos brasileiros, chegando a aplicar sobretaxas de até 50% sobre parte das exportações nacionais. Após negociações entre os governos dos dois países, parte dessas medidas foi posteriormente retirada.

Neste ano, novas tarifas voltaram a ser impostas, com alíquotas de 25% e 12,5% sobre diferentes produtos brasileiros.

Entre as justificativas apresentadas pelas autoridades norte-americanas estão alegações relacionadas a práticas comerciais consideradas desleais, além de temas como combate ao trabalho forçado, corrupção, desmatamento ilegal e o sistema de pagamentos Pix.

O assunto rapidamente passou a integrar o debate eleitoral.

Enquanto aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuem a tensão diplomática à aproximação de adversários políticos brasileiros com o governo norte-americano, integrantes da oposição afirmam que a deterioração das relações comerciais decorre da condução da política externa do governo federal.

Temas devem pautar a reta final da campanha

Analistas políticos avaliam que os três assuntos têm potencial para influenciar o debate eleitoral por envolverem áreas sensíveis ao eleitorado, como combate à corrupção, gestão pública, economia e relações internacionais.

A expectativa é de que, à medida que a campanha avance, candidatos utilizem esses episódios para apresentar propostas, responder críticas e tentar convencer os eleitores sobre sua capacidade de enfrentar desafios relacionados à segurança institucional, ao controle das contas públicas e ao crescimento econômico.