Peças produzidas com técnicas ancestrais estarão à venda no feriado de 12 de outubro, em evento que valoriza a cultura e a geração de renda
Cerâmicas com grafismos tradicionais, cestarias, roupas e biojoias produzidas por mulheres indígenas Kadiwéu poderão ser adquiridas diretamente das artesãs nesta segunda-feira (12), em Bodoquena, a 265 quilômetros de Campo Grande. O bazar será realizado das 9h às 17h, na sede da Associação das Comunidades Indígenas da Reserva Kadiwéu (ACIRK), e marca o encerramento de uma programação dedicada à valorização dos conhecimentos ancestrais e à geração de renda para as comunidades indígenas.
A iniciativa é organizada pela Associação das Mulheres Artistas Kadiwéu (AMAK), em parceria com o projeto Vidas e Vozes Kadiwéu. Além de comprar os produtos, os visitantes poderão conhecer as artistas e saber mais sobre as técnicas e tradições transmitidas entre gerações.
Entre as peças disponíveis estão vasos de diferentes tamanhos e pequenas esculturas de animais, como peixes, tamanduás e jacarés. Os objetos podem ser utilizados na decoração de residências, estabelecimentos comerciais e empreendimentos turísticos.
O diretor executivo do Instituto Terra Brasilis, Reinaldo Lourival, destaca as possibilidades de uso das peças na decoração. Em sua própria casa, ele reuniu peixes de cerâmica de diferentes tamanhos, pintados com grafismos Kadiwéu, para formar um cardume na parede da sala de jantar.
Associação reúne mais de 40 artesãs
A AMAK tem origem na aldeia Alves de Barros, localizada na Terra Indígena Kadiwéu, em Porto Murtinho, no Pantanal sul-mato-grossense. A associação foi idealizada pela ceramista Creuza Vergilio em 2005 e formalizada em 2015, com o apoio de 30 mulheres. Atualmente, reúne mais de 40 artesãs.
O trabalho da entidade busca ampliar a comercialização direta dos produtos, conquistar novos mercados e fortalecer o reconhecimento da autoria das peças. A associação também promove cursos nos quais as artistas compartilham conhecimentos e técnicas tradicionais aprendidos com mães e avós.
Na produção da cerâmica, o processo começa com a escolha e a coleta do barro, seguido pela modelagem, queima e pintura. Os materiais utilizados são naturais e encontrados na região pantaneira e chaquenha de Porto Murtinho.
Para Creuza Vergilio, atual presidente da associação, a cerâmica está diretamente ligada à sua trajetória de vida. A atividade representa não apenas uma fonte de renda, mas também uma forma de preservar a identidade cultural e manter vivos os conhecimentos tradicionais do povo Kadiwéu.
Seca e incêndios ameaçam matérias-primas
A continuidade da produção artesanal depende também da conservação ambiental do território indígena. A vegetação, as águas, as nascentes e as áreas de coleta fornecem recursos essenciais para a confecção das peças, como barro, pigmentos naturais e pau-santo, árvore cuja resina é utilizada para dar às cerâmicas um acabamento preto e brilhante característico.
Nos últimos anos, porém, a seca prolongada e os grandes incêndios registrados no Pantanal aumentaram a pressão sobre esses recursos naturais.
Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Pantanal enfrenta episódios de seca severa e prolongada desde 2019. Em 2024, o fogo atingiu aproximadamente 70% dos 538 mil hectares da Terra Indígena Kadiwéu, conforme dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA-UFRJ).
A preservação das áreas de coleta é considerada fundamental para garantir a continuidade da atividade artesanal. A conservação do território está diretamente relacionada à manutenção da renda das mulheres e à possibilidade de transmitir os conhecimentos tradicionais às próximas gerações.
Encontro reúne mulheres indígenas de diferentes povos
O bazar encerra a programação do 2º Encontro Ancestral de Cerâmica Indígena, que termina hoje (11), na aldeia Alves de Barros. A atividade reúne mulheres Kadiwéu e indígenas de Roraima das etnias Macuxi e Wai Wai.
A agenda inclui formação sobre precificação, estratégias de vendas e troca de experiências sobre a produção cerâmica. A proposta é fortalecer a organização das artesãs, ampliar as oportunidades de comercialização e incentivar o intercâmbio de conhecimentos entre diferentes povos indígenas.
O projeto Vidas e Vozes Kadiwéu é realizado pelo Instituto Terra Brasilis em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Com ações previstas até 2028, a iniciativa apoia melhorias na estrutura das associações indígenas e promove projetos de geração de renda vinculados à governança das comunidades e à conservação ambiental.
Serviço
- Evento: Bazar da Associação das Mulheres Artistas Kadiwéu (AMAK)
- Data: segunda-feira, 12 de outubro de 2026
- Horário: das 9h às 17h
- Local: sede da ACIRK, Rua Guilherme Maidama, 128, Bodoquena (MS)
- Produtos: cerâmicas, cestarias, roupas e biojoias produzidas por artistas Kadiwéu
- Entrada: o evento anuncia a venda direta de artesanato; consulte a organização para informações sobre acesso.
Mais informações sobre o projeto estão disponíveis no site do Instituto Terra Brasilis. A instituição também publica informações sobre suas iniciativas nas redes sociais, pelo perfil @institutoterrabrasilis.





















