Às vésperas de restrições eleitorais, governo Lula intensifica agenda de anúncios

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(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Desenrola adimplentes e novas linhas de crédito estão entre as prioridades do Planalto

O governo federal entra nas últimas semanas de junho em modo de aceleração máxima para concluir anúncios e entregas de maior impacto político e social antes do início das restrições impostas pela legislação eleitoral. A movimentação ocorre em meio ao aumento do volume de agendas oficiais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste ano, com foco em medidas de crédito, investimentos e programas de renegociação de dívidas.

Entre janeiro e esta semana, a agenda presidencial somou mais de 100 compromissos ligados a anúncios de políticas públicas, inaugurações, visitas a obras e eventos oficiais — quase o dobro do registrado no mesmo período de 2025. A estratégia do governo é concentrar, até o fim de junho, novas ações consideradas de maior apelo popular, antes do início do chamado período de “defeso eleitoral”, que passa a valer em julho.

Nos bastidores, ministérios trabalham para fechar uma nova etapa do programa Desenrola, voltada a pessoas que estão em dia com pagamentos, incluindo beneficiários do Fies e clientes do sistema bancário. A ideia é criar estímulos adicionais para adimplentes, ampliando o alcance da política de renegociação de dívidas.

“Vamos anunciar ainda até o fim do mês o Desenrola adimplentes, seja pelo Fies, seja para quem tem operações de crédito nos bancos e paga em dia, para reforçar esse comportamento”, afirmou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista recente.

A movimentação ocorre em paralelo a outras iniciativas de crédito lançadas pelo governo neste ano. Na última sexta-feira (12), por exemplo, o presidente apresentou uma linha de financiamento com garantia da União voltada a entregadores de aplicativos, permitindo a compra de motocicletas com juros abaixo dos praticados no mercado.

Em reunião ministerial realizada na semana passada, Lula reforçou a orientação para que as pastas concentrem esforços na finalização de entregas até o início de julho. Segundo relatos, o presidente pediu que novas propostas sejam evitadas neste momento, priorizando a execução do que já está em andamento.

“Temos até 3 de julho para fazer todas as entregas… Agora é entregar o que já foi pensado”, disse o presidente na reunião.

Procurado, o Palácio do Planalto afirmou que as ações do governo seguem planejamento técnico e institucional e não têm relação com o calendário eleitoral. Em nota, a Presidência destacou que políticas públicas passam por etapas de construção ao longo do tempo e são resultado de demandas acumuladas.

“As agendas realizadas neste ano são plenamente compatíveis com as atribuições constitucionais do presidente”, informou o Planalto, acrescentando que Lula tem percorrido o país para anunciar investimentos e dialogar com estados e municípios.

O chamado “defeso eleitoral” estabelece uma série de restrições a partir de julho, incluindo limitações a inaugurações oficiais, publicidade institucional e transferências voluntárias de recursos. Também determina ajustes em canais oficiais de comunicação do governo, para evitar identificação com campanhas ou gestores em disputa.

Diante dessas regras, uma das medidas previstas é a suspensão do programa “Governo do Brasil na Rua”, que leva serviços e ações governamentais a diferentes cidades. A iniciativa, criada no fim de 2025, já passou por cerca de 25 municípios.

O governo também reforçou internamente a necessidade de cautela jurídica. A Advocacia-Geral da União (AGU) promoveu treinamentos para servidores sobre as restrições do período eleitoral, com foco na prevenção de irregularidades que podem gerar sanções a agentes públicos.

O contexto político também influencia o ritmo das ações. Apesar de indicadores econômicos como desemprego em baixa e inflação relativamente controlada, o governo enfrenta oscilações na avaliação pública e busca ampliar a visibilidade de programas de crédito e transferência de renda.

Neste ano, o Executivo tem priorizado medidas com menor impacto direto no Orçamento, como linhas de financiamento e estímulo ao crédito. Entre elas estão bilhões em operações voltadas a transportadores, motoristas de aplicativo e setores produtivos.

O Novo Desenrola, por exemplo, já renegociou mais de R$ 20 bilhões em dívidas de famílias e empresas. Outras medidas incluem ajustes tributários, programas habitacionais e incentivos setoriais, frequentemente apresentados pelo governo como ações emergenciais ou de estímulo econômico.

Com a aproximação do calendário eleitoral, a expectativa dentro do governo é de desaceleração das novas iniciativas e maior foco na execução das políticas já anunciadas, em conformidade com as restrições legais e com o planejamento das entregas previstas para o restante do ano.