
Arma semiautomática personalizada com a bandeira do Brasil era o último armamento registrado em nome do ex-presidente que faltava ser recolhido por ordem do STF
Uma espingarda personalizada com as cores da bandeira brasileira e registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou de ser o único armamento vinculado a ele ainda pendente de recolhimento pela Polícia Federal. O equipamento foi entregue voluntariamente à PF nesta quarta-feira (8), após agentes buscarem a arma em uma residência de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
A arma é uma espingarda semiautomática modelo AR-05-16, da fabricante turca Maestro Arms Company (M.A.C), de calibre 12 GA — um dos tipos de munição mais utilizados no mundo para atividades como segurança, caça e tiro esportivo. No mercado brasileiro, o modelo tem valor estimado em aproximadamente R$ 15 mil.
O armamento possui uma customização especial: foi pintado com as cores nacionais e traz a inscrição “Ordem e Progresso”. Segundo informações confirmadas pela Polícia Federal ao g1, uma fotografia da espingarda foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), que confirmou os detalhes do equipamento.
A arma chegou às mãos de Bolsonaro como presente de um empresário do setor de armamentos em 2022. Após a doação, a empresa responsável pela fabricação transferiu o registro do equipamento para o nome do então presidente no Sistema Nacional de Armas (Sinarm).
Apesar da transferência, Bolsonaro nunca chegou a retirar a espingarda da empresa no Rio Grande do Sul. O equipamento permaneceu sob a guarda da fabricante até ser localizado pela PF.
Arma estava em estojo e sem munição
De acordo com informações encaminhadas ao STF, os policiais encontraram a espingarda dentro de um estojo, acompanhada de carregadores, mas sem munição. O responsável pela empresa informou à Polícia Federal a localização do armamento e demonstrou disposição em colaborar com o cumprimento da determinação judicial.
A defesa de Bolsonaro havia informado ao STF que a arma permanecia em uma importadora de artigos bélicos no Rio Grande do Sul e que o ex-presidente sequer havia retirado o presente. No entanto, segundo a PF, os advogados não haviam apresentado anteriormente documentos que comprovassem a localização exata do equipamento.
Recolhimento ocorreu após decisão do STF
A apreensão faz parte da determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para o recolhimento de todas as armas registradas em nome de Bolsonaro.
A medida foi tomada após uma pistola do ex-presidente ser encontrada com um segurança durante uma abordagem de trânsito em Brasília, no dia 16 de junho. Depois do episódio, o STF suspendeu o porte de arma de Bolsonaro e determinou que os equipamentos registrados em seu nome fossem entregues à Polícia Federal.
Inicialmente, o Exército informou ter localizado seis das oito armas registradas em nome do ex-presidente e encaminhou os equipamentos à PF. Os outros dois armamentos não estavam sob guarda da instituição, o que levou a defesa a prestar novos esclarecimentos sobre a localização.
Na quarta-feira (8), além da apreensão da espingarda no Rio Grande do Sul, a Polícia Federal também realizou buscas na residência de Bolsonaro para verificar a existência de armas, munições, acessórios e documentos de registro. Segundo a corporação, nenhum armamento foi encontrado no endereço.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar
Jair Bolsonaro cumpre atualmente pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde 24 de março deste ano, o ex-presidente está em prisão domiciliar humanitária autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, medida que foi posteriormente prorrogada.
Com a entrega da espingarda, a Polícia Federal concluiu o recolhimento do armamento registrado oficialmente em nome do ex-presidente, conforme determinação do Supremo Tribunal Federal.




















