Candidatos concentram agendas no Nordeste e Sudeste e miram eleitores que ainda podem mudar de voto
A disputa pela Presidência entra nas duas últimas semanas antes do primeiro turno com as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentrando esforços em diferentes regiões e estratégias para conquistar eleitores ainda sem voto definido. Enquanto o grupo de Lula prepara uma ofensiva baseada no contraste entre as trajetórias dos dois candidatos e na associação do adversário ao caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, aliados de Flávio defendem uma campanha de menor exposição e com foco em evitar novos desgastes.
O calendário eleitoral prevê o primeiro turno para 4 de outubro. A pesquisa Datafolha divulgada em 17 de setembro mostrou Lula com 39% das intenções de voto no cenário nacional, contra 36% de Flávio. Em uma eventual segunda etapa, o levantamento apontou 46% para Lula e 44% para o candidato do PL.
A diferença regional é mais acentuada. No Nordeste, Lula aparece com 56% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio registra 26%. Já no Sudeste, no Sul e no agrupamento Centro-Oeste/Norte, o candidato do PL aparece numericamente à frente, segundo os recortes divulgados do levantamento.
Estratégias para a reta final
Diante desse cenário, os dois grupos passaram a concentrar parte das agendas nas regiões consideradas relevantes para a disputa. Flávio deverá manter presença no Sudeste, especialmente nos maiores colégios eleitorais, mas também tem previsão de retornar ao Nordeste.
O candidato do PL deve participar de pelo menos duas agendas ao lado do vice, Alfredo Gaspar, no Maranhão e no Rio Grande do Norte. A campanha avalia que a circulação de Gaspar pela região ajudou a ampliar a presença política da chapa no Nordeste. Em setembro, o candidato a vice já participou de atividades de campanha no Rio Grande do Norte ao lado de lideranças do partido.
Depois das agendas no Nordeste, a estratégia prevista para Flávio é voltar a concentrar esforços no Sudeste, incluindo São Paulo e Minas Gerais. A região reúne alguns dos maiores eleitorados do país e aparece como uma das áreas centrais da reta final da campanha.
A orientação transmitida por aliados, segundo relatos publicados pela imprensa, é evitar declarações que possam criar novos problemas para o candidato. Nesse contexto, Flávio não deverá assumir diretamente críticas ao reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo Lula, deixando eventuais ataques à medida para outros integrantes de sua base.
O candidato do PL também passou a pedir votos de eleitores de outras legendas ainda no primeiro turno. Em 18 de setembro, ele não participou de uma entrevista que estava prevista na RECORD.
Lula aumenta ofensiva
A campanha de Lula, por outro lado, elevou o tom dos ataques a Flávio nas últimas semanas. O presidente tem explorado a comparação entre sua trajetória política e a do adversário, enquanto sua equipe passou a utilizar o caso Banco Master como elemento de confronto eleitoral.
O nome de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entrou no centro da disputa depois que mensagens e outros materiais apreendidos pela Polícia Federal passaram a ser explorados politicamente pelas campanhas. Flávio e aliados têm utilizado o caso para fazer críticas ao governo e ao Supremo Tribunal Federal.
Lula, por sua vez, também passou a mencionar Vorcaro em declarações públicas. Em entrevista recente, o presidente fez críticas à trajetória empresarial do banqueiro e relacionou o surgimento do Banco Master ao período do governo de Jair Bolsonaro. As afirmações fazem parte da estratégia petista de estabelecer uma conexão política entre o adversário e o caso.
A campanha de Lula ainda orientou apoiadores a ampliar a discussão nas redes sociais sobre as investigações relacionadas ao caso Master e a defender a apuração de eventuais irregularidades envolvendo autoridades públicas.
O presidente também tem usado entrevistas e compromissos oficiais para reforçar temas sociais e econômicos. Entre as medidas anunciadas pelo governo está o reajuste do Bolsa Família, que passou a ser incorporado ao debate eleitoral nos últimos dias.
Pesquisa mostra disputa apertada
Os números mais recentes ajudam a explicar a mudança de comportamento das campanhas. O Datafolha de 17 de setembro apontou uma diferença de três pontos entre Lula e Flávio no primeiro turno e de dois pontos em um eventual segundo turno, resultados que ficam próximos da margem de erro do levantamento.
Outras pesquisas divulgadas em setembro também apontaram uma disputa acirrada. Levantamentos da AtlasIntel/Bloomberg e da BTG Pactual/Nexus apresentaram cenários de proximidade entre os dois candidatos em uma eventual segunda rodada, embora os números variem de acordo com o instituto e a metodologia.
Com pouco mais de duas semanas até a votação, as campanhas passaram a combinar presença nos maiores colégios eleitorais, mobilização regional e comunicação direcionada aos eleitores que ainda podem mudar de escolha. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, caso nenhum candidato obtenha maioria dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.





















