MS registra 87 denúncias de irregularidades eleitorais a menos de um mês da votação

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Propaganda irregular em vias públicas e na internet está entre os principais motivos das reclamações registradas pelo Pardal (Foto: TSE)

Estado tem média de 4,35 denúncias por dia desde o início da campanha; no país, aplicativo Pardal já recebeu mais de 12 mil registros

Faltando menos de um mês para o primeiro turno das eleições de 2026, Mato Grosso do Sul já contabiliza 87 denúncias virtuais sobre possíveis irregularidades eleitorais. O número representa uma média de 4,35 denúncias por dia desde o início oficial da campanha, em 16 de agosto. Em todo o país, o aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, recebeu 12.432 reclamações no mesmo período, média de aproximadamente 622 denúncias por dia.

Em Mato Grosso do Sul, do total registrado até sexta-feira (4), 44 denúncias chegaram ao Ministério Público Eleitoral por meio do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS), pelo aplicativo Pardal. Essas manifestações passam inicialmente por um filtro da Justiça Eleitoral antes de serem encaminhadas ao Ministério Público.

Outras 43 denúncias foram recebidas diretamente pela Ouvidoria do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), segundo o coordenador do Núcleo Eleitoral, promotor de Justiça Moisés Casarotto.

Considerando os 20 dias entre o início da campanha, em 16 de agosto, e o levantamento de sexta-feira (4), a média no estado é de 4,35 denúncias por dia. No país, as 12.432 manifestações registradas pelo Pardal no mesmo intervalo correspondem a cerca de 621,6 denúncias diárias.

O MPMS considera o volume de denúncias em Mato Grosso do Sul relativamente baixo. Segundo o órgão, esse comportamento costuma ser observado nas eleições estaduais e federais, que tradicionalmente apresentam menos reclamações do que os pleitos municipais.

O balanço também não reúne todas as ocorrências relacionadas às eleições no estado. Denúncias continuam sendo apresentadas presencialmente nas Promotorias de Justiça de diferentes municípios, enquanto boletins de ocorrência registrados pelas forças policiais ainda não foram contabilizados nesse levantamento inicial.

As informações recebidas pelos diferentes canais são centralizadas e analisadas pelo Ministério Público Eleitoral. A partir da apuração, podem ser adotadas medidas judiciais caso sejam identificados indícios de crimes ou outras irregularidades eleitorais.

Pardal recebe uma denúncia a cada dois minutos

Em âmbito nacional, o volume de reclamações também aumentou nas últimas semanas. Desde o início da campanha eleitoral, em 16 de agosto, até as 15h30 de sexta-feira (4), o Pardal havia registrado 12.432 denúncias de possíveis irregularidades.

A média nacional é de aproximadamente 622 denúncias por dia, ou cerca de 26 registros por hora. Isso significa que, em média, o sistema recebe uma nova denúncia a cada dois minutos e 18 segundos.

O ritmo de registros também acelerou no fim de agosto. No início da tarde de 31 de agosto, o sistema contabilizava cerca de 8.800 denúncias. Em quatro dias, foram registradas outras 3.632 reclamações, aumento de aproximadamente 41% no acumulado.

Entre os principais motivos das denúncias estão possíveis irregularidades em propagandas realizadas em vias públicas, na internet e envolvendo bens públicos. Candidaturas a deputado estadual aparecem entre os principais alvos das reclamações.

As denúncias feitas pelo Pardal são encaminhadas aos cartórios eleitorais, onde passam por análise. Dependendo do caso, a manifestação pode resultar na abertura de procedimento, processo judicial ou aplicação de multa a candidatos, partidos ou coligações.

Como denunciar

O aplicativo Pardal é disponibilizado gratuitamente pela Justiça Eleitoral e pode ser acessado pela internet ou por dispositivos móveis. Para fazer uma denúncia, o eleitor precisa se identificar por meio do e-Título ou da conta Gov.br.

A reclamação deve apresentar informações que permitam identificar e apurar a possível irregularidade. O eleitor também pode anexar fotos, vídeos ou áudios que ajudem a comprovar a ocorrência.

Casos que não se enquadram nas situações atendidas pelo Pardal podem ser direcionados para outros canais da Justiça Eleitoral. Entre eles está o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral, destinado a comunicações sobre conteúdos que possam comprometer a integridade do processo eleitoral.

O Ministério Público Eleitoral também mantém canais próprios para receber denúncias sobre crimes eleitorais e outros ilícitos relacionados à disputa.

Eleições

O primeiro turno das eleições de 2026 será realizado em 4 de outubro. Os eleitores vão escolher presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais.

Caso seja necessário, o segundo turno está marcado para 25 de outubro.

Com a aproximação da votação, o Ministério Público Eleitoral e a Justiça Eleitoral mantêm o monitoramento das denúncias recebidas pelos canais digitais e presenciais, especialmente relacionadas à propaganda e a possíveis crimes eleitorais.