Pagamentos acima desse valor passam a ser possíveis, desde que estejam dentro do limite autorizado pelo banco
Quem usa o celular para pagar uma compra por Pix ganhou mais liberdade para escolher quanto pode movimentar em uma única transação. Desde esta quinta-feira (1º), o Pix por aproximação deixou de ter o limite específico de R$ 500 por operação. A mudança foi determinada pelo Banco Central e permite que pagamentos acima desse valor sejam feitos por aproximação, desde que estejam dentro dos limites autorizados para a conta do cliente.
A retirada do teto fixo não significa que o Pix por aproximação ficou sem limites. Os bancos continuam aplicando mecanismos de segurança e os limites de valor estabelecidos para cada cliente. Além disso, o usuário pode solicitar pelo aplicativo da instituição financeira a redução ou o aumento dos valores permitidos.
A nova regra busca aproximar o funcionamento do Pix por aproximação das demais modalidades do sistema, como pagamentos feitos por chave Pix ou QR Code. O Banco Central determinou que as instituições disponibilizem ferramentas para que o cliente possa administrar os limites diretamente nos canais digitais.
O que muda no Pix por aproximação
Até então, havia um teto específico de R$ 500 por transação para o Pix por aproximação. Esse valor podia ser reduzido pelo próprio usuário e também era possível estabelecer um limite diário.
Com a mudança, o teto específico deixa de existir. Na prática, uma pessoa poderá fazer um pagamento superior a R$ 500 aproximando o celular da maquininha, desde que o valor esteja dentro do limite permitido para sua conta e seja aprovado pelos mecanismos de segurança do banco.
Segundo o Banco Central, a alteração também alcança operações iniciadas por meio da chamada Jornada Sem Redirecionamento do Open Finance, utilizada em carteiras digitais compatíveis.
O cliente pode escolher o limite?
Sim. Os bancos devem oferecer uma ferramenta no aplicativo para gerenciamento dos limites do Pix.
O cliente pode solicitar a redução ou o aumento do limite por transação e do limite diário. A redução deve ser efetivada imediatamente. Já um pedido de aumento pode passar por análise da instituição e, se aprovado, deve ser processado entre 24 e 48 horas.
Também é possível cadastrar contas ou usuários recebedores para estabelecer limites específicos, permitindo manter valores mais baixos para as demais operações.
Como ajustar o limite do Pix
O procedimento pode variar de acordo com o banco, mas, em geral, é feito pelo aplicativo da instituição:
- Abra o aplicativo do banco;
- Acesse a área do Pix;
- Procure a opção de limites ou gerenciamento de limites;
- Escolha o limite por transação ou o limite diário;
- Informe o novo valor desejado;
- Faça a autenticação solicitada pelo banco.
Para aumentar o limite, o banco poderá analisar o pedido antes de liberar o novo valor. Para reduzir, a alteração deve ser feita de forma imediata.
Qual é o limite do Pix?
O Pix não possui um valor mínimo obrigatório por transação. Os bancos estabelecem limites máximos levando em consideração critérios de segurança, prevenção a fraudes e o perfil de utilização do cliente.
Para pessoas físicas, existe ainda uma regra específica para operações destinadas a outras pessoas físicas durante o período noturno. Entre 20h e 6h, o limite é de R$ 1.000, salvo alteração solicitada pelo usuário e aprovada pela instituição. O início do período noturno pode, em determinadas condições, ser alterado para 22h.
Portanto, o fim do teto de R$ 500 do Pix por aproximação não significa que qualquer valor poderá ser pago automaticamente. O valor disponível continuará condicionado aos limites da conta e aos mecanismos de segurança aplicados pela instituição.
Pix por aproximação é seguro?
A retirada do limite específico não elimina as demais camadas de proteção do Pix.
O Banco Central afirma que a mudança mantém os mecanismos de segurança já existentes e permite ao usuário administrar os valores autorizados por meio dos canais da instituição financeira.
Também é possível reduzir o limite da conta para valores mais baixos, inclusive para zero, conforme as funcionalidades oferecidas pelo banco. A instituição ainda pode estabelecer limites menores em determinadas situações de risco, inclusive quando não consegue identificar a localização do dispositivo utilizado para iniciar a operação.
Por isso, uma das recomendações para quem utiliza o recurso é manter um limite compatível com a rotina de pagamentos e revisá-lo periodicamente.
Como funciona o Pix por aproximação
A modalidade utiliza a tecnologia NFC, que permite a comunicação entre o celular ou relógio inteligente e uma maquininha habilitada.
O Banco Central explica que o pagamento pode ser realizado de duas formas: pelo aplicativo da própria instituição financeira ou por uma carteira digital compatível.
No caso do aplicativo do banco, o cliente abre o app, passa pela autenticação exigida, aproxima o aparelho da maquininha, confere os dados da cobrança e confirma o pagamento.
Quando a operação é feita por uma carteira digital, é necessário vincular previamente a conta bancária ao serviço. Essa vinculação utiliza os mecanismos do Open Finance e, depois de autorizada, permite que o cliente faça pagamentos por aproximação sem precisar acessar o aplicativo do banco a cada compra.
Como fazer um pagamento
Em um estabelecimento que aceite Pix por aproximação, o procedimento é semelhante ao uso de um cartão por aproximação:
- Solicite o pagamento via Pix;
- Aproxime o celular ou relógio da maquininha habilitada para NFC;
- Confira o valor e os dados do recebedor;
- Confirme a operação;
- Utilize a biometria, senha ou outro mecanismo de autenticação solicitado pelo aparelho ou aplicativo.
A transação é processada pelo sistema Pix e o dinheiro é transferido instantaneamente após a confirmação.
O que é necessário para usar?
Para utilizar a modalidade, é necessário que o aparelho tenha tecnologia NFC e que o terminal de pagamento do estabelecimento também seja compatível.
Quando a opção for utilizada por uma carteira digital, a conta bancária precisa ser previamente vinculada ao serviço. O Banco Central informa que a funcionalidade depende ainda da disponibilidade do recurso pela carteira, instituição financeira e sistema operacional utilizado.
Por que o Banco Central retirou o limite de R$ 500?
A justificativa apresentada pelo Banco Central é aproximar o Pix por aproximação das demais formas de pagamento pelo sistema, eliminando uma diferença regulatória que restringia especificamente essa modalidade.
Segundo o BC, a mudança permite que o usuário faça pagamentos de valor mais elevado por aproximação, respeitando os limites definidos para sua conta e os mecanismos de segurança existentes.
A regra foi estabelecida pela Instrução Normativa BCB nº 746, publicada em junho de 2026, e as instituições tiveram até 1º de outubro para adaptar seus sistemas.
Pix por aproximação começou em 2025
A modalidade passou a ser disponibilizada ao público em fevereiro de 2025. Ela foi criada a partir das regras do Open Finance e permite realizar pagamentos sem a necessidade de escanear um QR Code ou digitar informações da transação.
Inicialmente, o Banco Central estabeleceu o limite de R$ 500 por transação, com possibilidade de o usuário reduzir o valor e estabelecer também um limite diário.
Agora, esse teto específico foi retirado e o Pix por aproximação passa a seguir a lógica de limites utilizada nas demais operações do sistema.
Pix continua crescendo
A mudança ocorre em um momento de forte expansão do uso do Pix no país. O sistema de pagamentos instantâneos foi lançado pelo Banco Central em novembro de 2020 e passou a fazer parte da rotina de pagamentos e transferências dos brasileiros.
O Banco Central informou que o Pix registrou 7,934 bilhões de transações somente em dezembro de 2025, contra 6,4 bilhões no mesmo mês de 2024.
Com a retirada do teto específico, o Pix por aproximação passa a oferecer uma experiência ainda mais próxima à dos pagamentos por aproximação feitos com cartões, mas mantendo as regras de limite e autenticação determinadas para cada conta.




















