PSD oficializa Ronaldo Caiado à Presidência e Gilberto Kassab como candidato a vice

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Gilberto Kassab e Ronando Caiado em convenção nacional do PSD em São Paulo (Foto: Reprodução)

Convenção em São Paulo confirma chapa puro-sangue do partido; ex-governador de Goiás promete romper a polarização e apresentar um novo modelo de governo

O PSD oficializou neste domingo (26) a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência da República nas eleições de 2026. A convenção nacional do partido, realizada em São Paulo, também confirmou o presidente da legenda, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente, formando uma chapa composta exclusivamente por integrantes do partido.

Ao ser confirmado como candidato, Caiado afirmou que pretende apresentar uma alternativa à polarização política nacional e disse que sua campanha será baseada na experiência administrativa acumulada ao longo da carreira. Segundo ele, o objetivo é implantar um “novo modelo de governo”, voltado para resultados e gestão. “Eu não seria candidato se não fosse a coragem de Gilberto Kassab, que enfrentou todos aqueles que achavam que podiam calar o Brasil e que não teria mais nenhum candidato fora da polarização”, declarou durante a convenção.

O ex-governador também afirmou que pretende disputar a Presidência apresentando sua experiência à frente do Governo de Goiás, destacando o índice de aprovação alcançado ao final do mandato. “Eleição não é de rejeitados. É de quem traz resultado para a sociedade brasileira. Saímos do governo com 88% de aprovação, mostrando que, quando se tem capacidade para governar, a população reconhece”, afirmou.

Esta será a segunda disputa de Ronaldo Caiado pela Presidência da República. A primeira ocorreu em 1989, quando terminou a eleição em décimo lugar. Médico ortopedista e produtor rural, ele já exerceu os cargos de deputado federal, senador e governador de Goiás por dois mandatos consecutivos, tendo deixado o governo estadual em março deste ano para concorrer ao Palácio do Planalto.

Gilberto Kassab foi anunciado como candidato a vice no início de julho. Ex-prefeito de São Paulo, fundador e presidente nacional do PSD, ele também foi ministro nos governos Dilma Rousseff e Michel Temer e ocupou cargos no governo paulista. A chapa foi definida sem alianças partidárias, e o PSD, até o momento, não formalizou coligações para a eleição presidencial.

Apesar da candidatura própria, o partido enfrenta dificuldades para unificar o apoio nos estados. Em São Paulo, o PSD apoia a reeleição do governador Tarcísio de Freitas, aliado da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Em Minas Gerais, integrantes da legenda apoiam Romeu Zema (Novo), enquanto lideranças do partido no Rio de Janeiro e na Bahia declararam apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Pré-campanha e propostas

Durante a pré-campanha, Caiado apresentou como uma de suas principais bandeiras o combate ao crime organizado. Entre as propostas defendidas estão a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, maior integração entre forças de segurança e o uso das Forças Armadas em operações contra organizações criminosas na Amazônia.

Na área econômica, o candidato propõe reduzir os gastos públicos, sem aumento de impostos. Entre as medidas anunciadas estão o corte de 25% nos orçamentos dos três Poderes, a redução gradual da relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB) e o envio de reformas administrativa, política e trabalhista ao Congresso Nacional.

Caiado também defende investimentos em tecnologia, inovação, política industrial e exploração de minerais estratégicos como instrumentos para impulsionar o crescimento econômico.

Outra proposta anunciada pelo ex-governador é a defesa de uma anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Pela Constituição, no entanto, uma anistia depende da aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional e não pode ser concedida por decisão exclusiva do presidente da República.

Cenário eleitoral

Segundo a pesquisa Quaest divulgada em julho, Ronaldo Caiado aparece com 4% das intenções de voto no primeiro turno, atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que registra 40%, e de Flávio Bolsonaro (PL), com 28%.

As convenções partidárias seguem até 5 de agosto. Após essa etapa, os partidos terão até 15 de agosto para registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral. A campanha eleitoral começa oficialmente no dia seguinte.