STF começa a receber denúncia contra Trutis por simular atentado a bala

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Deputado federal Loester Trutis (PSL)

A novela continua, tendo mais um capitulo, que não está indo a acabar bem para o deputado federal por MS, Loester Trutis (PL), que deve ser julgado por atentado contra si, construído a 2,6 anos. A relatora do processo no STF (Supremo Tribunal Federal), devido ao foro privilegiado, é a favor que Trutis responda criminalmente pelo ‘atentado fake’. Como o Enfoque MS noticiou STF marca julgamento de deputado de MS para dois meses antes das eleições , a ação iniciou pela ministra Rosa Weber, relatora do inquérito 4.857 no STF. Ela votou pelo recebimento da denúncia feita pelo MPF (Ministério Público Federal) contra o deputado e o seu assessor, Ciro Nogueira Fidelis.

Trutis, que está sendo processado no STF, por falso atentado, por ele promovido, pode quase acabar seu mandato de quatro anos, ficando sem o cargo e comprometendo sequência na eleição de outubro para uma tentativa de reeleição. O parlamentar pode ficar comprometido criminalmente, caso vire réu, já com processo eleitoral em andamento. O caso vem correndo a dois anos e seis meses, entre a suposta ocorrência, investigação da PF (Polícia Federal) e revelações, e, pedidos de indiciamento pelo crime.

A ministra Rosa Weber, foi quem marcou para este mês, a sessão de analise do recebimento da denuncia sobre o falso atentado, que teria ocorrido na madrugada de 16 de fevereiro de 2020, em uma estrada vicinal paralela a BR-060, entre Campo Grande e Sidrolândia. O inquérito foi incluído no plenário virtual do STF, a ser julgado de 5 a 15 de agosto. O parlamentar pode virar réu por falsa comunicação de crime, posse ilegal de arma de fogo e disparo em via pública a menos de dois meses do primeiro turno das eleições deste ano.

Loester Trutis é denunciado pela PGR por forjar o próprio atentado

Em caso de recebimento da denúncia, a corte vai julgar o deputado e pode condená-lo a prisão e a perda do mandato de deputado federal. “Ante o exposto, havendo prova da materialidade delitiva e indícios suficientes de autoria, voto pelo recebimento da denúncia oferecida contra o Deputado Federal Loester Carlos Gomes de Souza e Ciro Nogueira Fidelis , imputando-lhes a prática, em concurso material, dos crimes de comunicação falsa de crime (CP, art. 340), porte ilegal de arma de fogo de uso permitido (Lei nº 10.826/2003, art. 14) e disparo de arma de fogo (Lei nº 10.826/2003, art. 15)”, votou a ministra.

No entanto, o STF ainda começou a analisar o recebimento da denúncia. Somente após esta etapa, ele irá a julgamento. Nas eleições deste ano, o deputado tenta a reeleição e apoia o candidato do PSDB, Eduardo Riedel, e Bolsonaro.

Denúncia do MPF

A ministra acatou na íntegra o relatório do Ministério Público Federal, que corroborou com a conclusão do inquérito pela Polícia Federal. Trutis tentou desqualificar a denúncia e alegou ser perseguição política por parte do delegado, Glauber Fonseca de Carvalho Araújo.

“Concluo, assim, que os argumentos trazidos pela Defesa não são suficientes para, nessa fase procedimental, desqualificar a base empírica reunida no curso da investigação, a qual dá suporte aos enunciados fáticos formulados na tese acusatória. Não significa dizer que, uma vez submetidos à testagem aprofundada, em ambiente contraditório e com paridade de armas, não possam ser infirmadas pelos argumentos defensivos baseados nas provas a serem produzidas”, pontuou a relatora.

“Vale ressaltar que a admissibilidade da denúncia não implica, sob qualquer aspecto, antecipação de juízo de valor a respeito da responsabilidade criminal dos denunciados, em benefício dos quais vigora a presunção de inocência”, ressaltou, dando ao parlamentar uma chance que ele não oferece aos adversários.

“Apesar disso, analisando o material indiciário e a imputação a partir dos parâmetros exigidos nesse momento processual, concluo não haver mácula que inviabilize a submissão do feito a processamento e a julgamento pela Suprema Corte”, concluiu Weber, determinando o julgamento do deputado e do assessor na corte.

“Neste tópico, exporei as razões pelas quais estou convencida de que a denúncia baseia-se em elementos indiciários robustos o suficiente para superar o standard probatório exigido nesta fase procedimental e, por conseguinte, justificar o regular trânsito da pretensão punitiva estatal, viabilizando o escrutínio, em ambiente contraditório e sob os ditames do devido processo legal, das teses acusatória e defensiva”, concluiu.

O julgamento é virtual e será concluído no dia 15 deste mês. Os outros 10 ministros da corte terão 10 dias para concordar com a relatora ou apresentar voto divergente. Trutis poderá contar com o voto favorável dos ministros Nunes Marques e André Mendonça, indicados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

O atentado’

O parlamentar alegou ter sofrido um atentado a bala após ser perseguido por uma caminhonete na BR-060. Só que ao registrar a ocorrência, ele não esperava ser entregue pelo GPS do veículo, que era locado.

Com base no GPS, a PF chegou a uma estrada vicinal, onde supostamente ele e Ciro Nogueira simularam o atentado, e encontrou as cápsulas deflagradas. Câmeras de vigilância da rodovia também mostraram o parlamentar e o assessor transitando devagar, sem ninguém na cola, procurando um lugar tranquilo para efetuarem os disparos.

No relatório, a ministra cita 12 pontos apontados pela PF para contestar a tese de atentado e confirmar os três crimes cometidos por Trutis e Nogueira. O deputado seguiu o exemplo de Ari Artuzi, que era prefeito de Dourados quando também simulou um atentado em uma estrada vicinal.

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