Dia das Crianças: como surgiu a data comemorada em 12 de outubro no Brasil

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(Foto: Prefeitura de Três Lagoas)

Celebração começou a ser discutida na década de 1920, ganhou força com campanhas publicitárias e hoje também chama atenção para os direitos da infância

Celebrado em 12 de outubro, o Dia das Crianças reúne histórias que vão além dos presentes e das brincadeiras. A data nasceu de iniciativas políticas e educacionais, ganhou força com campanhas publicitárias e, ao longo do tempo, passou a representar também uma oportunidade para discutir os direitos e o papel da infância na sociedade.

A criação de um dia dedicado às crianças começou a ser discutida no Brasil na década de 1920. A comemoração, porém, só se popularizou décadas depois, quando o comércio passou a investir em campanhas para estimular a venda de brinquedos e outros produtos infantis.

Por que o Dia das Crianças é comemorado em 12 de outubro?

A escolha do dia 12 de outubro remonta a 1924, quando o Brasil oficializou a data como Dia das Crianças. Na mesma ocasião, o calendário também fazia referência ao chamado descobrimento da América, associado à chegada de Cristóvão Colombo ao continente em 1492.

Apesar da definição oficial, a comemoração não se tornou imediatamente uma tradição popular. Foi a partir da década de 1950 que a data começou a ganhar maior visibilidade entre as famílias brasileiras, impulsionada por ações comerciais.

Uma das iniciativas que ajudaram a consolidar a celebração foi uma campanha publicitária realizada pela fabricante de brinquedos Estrela em parceria com a Johnson & Johnson. A estratégia buscava aumentar as vendas e associar o dia à compra de presentes para os pequenos.

O resultado contribuiu para transformar o 12 de outubro em uma das principais datas do calendário comercial brasileiro, assim como ocorreu com outras comemorações familiares, a exemplo do Dia das Mães e do Dia dos Pais.

Presentes e desigualdade

Com o passar dos anos, presentear as crianças se tornou um hábito associado à comemoração. A tradição, no entanto, também pode gerar pressão sobre as famílias, especialmente quando a compra de brinquedos é tratada como parte indispensável da celebração.

Em entrevista ao g1 em 2025, a professora Magda Sarat, da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), destacou que não é necessário escolher o presente mais caro. Segundo ela, o mais importante é considerar os interesses e as preferências de cada criança.

A escolha dos brinquedos também pode refletir desigualdades de gênero presentes na sociedade. Bonecas, utensílios domésticos e brinquedos ligados às tarefas da casa são frequentemente associados às meninas, enquanto bolas, carrinhos e itens relacionados a aventuras e atividades externas costumam ser direcionados aos meninos.

Essa divisão pode reforçar estereótipos desde a infância. Por isso, a escolha dos presentes também pode ser uma oportunidade para ampliar as possibilidades de brincadeira e permitir que meninas e meninos explorem diferentes interesses.

Crianças como sujeitos de direitos

Além do significado comercial, o Dia das Crianças abre espaço para refletir sobre as mudanças na forma como a infância é compreendida no Brasil.

A legislação brasileira avançou no reconhecimento de crianças e adolescentes como sujeitos de direitos. Entre os principais marcos estão a Convenção sobre os Direitos da Criança, adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1989, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), instituído em 1990, e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, que estabelece normas para a educação no país e contempla a educação infantil.

Essas mudanças ajudaram a fortalecer a compreensão de que crianças não são apenas pessoas em processo de desenvolvimento, mas indivíduos que devem ter seus direitos respeitados, incluindo acesso à educação, saúde, proteção, convivência familiar, lazer e participação na sociedade.

Assim, embora a distribuição de presentes continue sendo uma das marcas da data, o Dia das Crianças também representa uma oportunidade para valorizar a infância, respeitar as diferenças e reforçar a importância de garantir condições para que todas as crianças cresçam com dignidade e segurança.