O município registrou a segunda maior variação entre as capitais pesquisadas (3,17%) e o 5º maior custo monetário (R$ 733,65)
O valor do conjunto dos alimentos básicos aumentou em 12 das 17 capitais onde o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. Entre setembro e outubro, as altas mais expressivas ocorreram em Porto Alegre (3,34%), seguido por Campo Grande (3,17%), Vitória (3,14%), Rio de Janeiro (3,10%) e Curitiba e Goiânia (ambas com 2,59%). Já as reduções mais importantes ocorreram em algumas cidades do Norte e Nordeste, como Recife (-3,73%), Natal (-1,40%), Belém (-1,16%), Aracaju (-0,61%) e João Pessoa (-0,49%).
Porto Alegre foi a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 768,82), seguida por São Paulo (R$ 762,20), Florianópolis (R$ 753,82), Rio de Janeiro (R$ 736,28) e Campo Grande (R$ 733,65). Nas cidades do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 515,51), Recife (R$ 558,40), João Pessoa (R$ 559,57) e Salvador (R$ 562,59).
A comparação dos valores da cesta, entre outubro de 2022 e outubro de 2021, mostrou que todas as capitais tiveram alta de preço, com variações que oscilaram entre 5,48%, em Vitória, e 15,38%, em Salvador.
Em 2022, o custo da cesta básica apresentou elevação em todas as cidades, com destaque para as variações acumuladas em Campo Grande (14,39%), Goiânia (13,15%), Porto Alegre (12,58%), Brasília (12,47%) e Curitiba (10,80%). Em Recife, foi observado o menor percentual (4,89%).
Com base na cesta mais cara, que, em outubro, foi a de Porto Alegre, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em outubro de 2022, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 6.458,86, ou 5,33 vezes o mínimo de R$ 1.212,00. Em setembro, o valor necessário era de R$ 6.306,97 e correspondeu a 5,20 vezes o piso mínimo. Em outubro de 2021, o valor do mínimo necessário deveria ter ficado em R$ 5.886,50 ou 5,35 vezes o valor vigente na época, de R$ 1.100,00.

Cesta x salário mínimo
Em outubro de 2022, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 119 horas e 37 minutos, maior do que o registrado em setembro, de 118 horas e 14 minutos. Em outubro de 2021, a jornada necessária era de 118 horas e 45 minutos.
Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto de 7,5%, referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, em outubro de 2022, 58,78% do rendimento para adquirir os produtos alimentícios básicos, mais do que em setembro, quando precisou usar 58,10%. Em outubro de 2021, quando o salário mínimo era de R$ 1.100,00, o percentual ficou em 58,35%.
Comportamento dos preços dos produtos da cesta
• Em outubro, o preço da batata aumentou em todas as cidades da região CentroSul, onde o tubérculo é pesquisado. A diminuição da oferta foi explicada pelo fim da safra de inverno e pelas chuvas. As altas mais expressivas foram registradas no Rio de Janeiro (32,43%), em Brasília (31,56%), Campo Grande (28,81%) e Goiânia (28,57%). Em 12 meses, todas as cidades apresentaram taxas positivas, com destaque para Belo Horizonte (36,06%) e São Paulo (32,67%).
• O preço do tomate aumentou em 13 das 17 capitais, com taxas que oscilaram entre 0,23%, em João Pessoa, e 38,33%, em Belo Horizonte. Houve diminuição de preço em algumas cidades do Nordeste, como Recife (-31,67%), Natal (-15,77%) e Aracaju (-1,31%); e do Norte, como Belém (-0,87%). Em 12 meses, 14 cidades tiveram redução do preço do fruto, com destaque para Brasília (-37,54%) e Vitória (-32,84%). A oferta caiu por causa da diminuição da colheita da safra de inverno.
• O preço do quilo do pão francês aumentou em 12 das 17 capitais, com destaque para as variações em Porto Alegre (2,06%), Fortaleza (1,48%), João Pessoa (1,23%) e Belo Horizonte (1,04%). Em Vitória e em Belém, o preço não se alterou; e, houve diminuição de valor em Brasília (-0,76%), Campo Grande (-0,31%) e Salvador (-0,14%). Em 12 meses, o quilo do pão acumulou alta entre 14,47%, em Florianópolis, e 29,90%, em Salvador. Expectativa de menor produção nos EUA e dificuldade de escoar o trigo da Rússia, devido à guerra com a Ucrânia, elevaram os preços internacionais do cereal.
• O preço do leite integral diminuiu em todas as capitais. As reduções oscilaram entre -11,50%, em Curitiba, e -1,01%, em Natal. Em 12 meses, o valor médio do leite acumulou alta em todas as cidades, com taxa de até 71,83%, registrada em Recife. Maior oferta de leite no campo e menor demanda, pelos altos preços praticados, reduziram os valores médios no varejo.
• O custo do quilo do feijão carioquinha diminuiu em todas as cidades onde o item é pesquisado (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Belo Horizonte e São Paulo), com taxas que variaram entre -7,69%, em Belo Horizonte, e -1,55%, em Fortaleza. Em 12 meses, todas as capitais registraram elevações, com destaque para Goiânia (27,48%) e Brasília (19,77%). O preço do feijão tipo preto, coletado nas capitais do Sul, em Vitória e no Rio de Janeiro também foi menor entre setembro e outubro em todas as cidades, exceto em Vitória, onde não variou. As quedas oscilaram entre -3,99%, em Curitiba, e -1,23%, em Porto Alegre. Em 12 meses, os valores recuaram em todas as cidades, com destaque para Florianópolis (-19,34%) e Vitória (-18,00%). As altas cotações do feijão e a menor demanda resultaram em recuo do valor no varejo.
• O preço do óleo de soja diminuiu em 13 das 17 cidades. As quedas oscilaram entre -9,30%, em Belém, e -0,44%, em Salvador. No Rio de Janeiro, o preço não variou e houve elevação em Natal (0,95%), João Pessoa (1,38%) e Aracaju (1,60%). Em 12 meses, o valor do produto subiu em 12 capitais, com destaque para São Paulo (10,00%) e Salvador (9,76%). As reduções mais importantes
ocorreram em Belém (-5,61%) e Belo Horizonte (-3,35%). A baixa demanda, tanto externa quanto interna, acarretou a retração dos preços do óleo de soja no varejo.
• O preço do açúcar diminuiu em 12 capitais, com destaque para os percentuais de Recife (-4,40%) e Florianópolis (-3,19%). Em Aracaju não houve variação. A maior alta ocorreu no Rio de Janeiro (0,93%). Em 12 meses, o açúcar acumulou elevações em 14 capitais, com destaque para as variações de Belém (22,06%) e Salvador (19,18%). As reduções no período foram registradas em Belo Horizonte (-2,64%), Florianópolis (-2,21%) e no Rio de Janeiro (-1,81%). A valorização externa do petróleo elevou o preço internacional do açúcar, uma vez que houve maior demanda de cana para a produção de etanol. No varejo, porém, esse aumento ainda não foi percebido em todas as capitais.
CAMPO GRANDE – NÚMEROS DE OUTUBRO
• Valor da cesta: R$ 733,65
• Valor da cesta básica para uma família, composta por quatro pessoas
: R$ 2.200,95.
• Variação mensal3
: 3,17%.
• Variação no ano: 14,39%.
• Variação em 12 meses: 12,28%.
• Pelo terceiro mês consecutivo, o leite de caixinha (-7,80%) registrou queda de preços, e um litro da bebida foi comercializado ao preço médio de R$ 5,91.
• Foram observadas, ainda, retrações nos preços de óleo de soja (-4,94%), açúcar cristal (-3,00%), feijão carioquinha (-2,87%), manteiga (-1,91%), pão francês (-0,31%), arroz agulhinha (-0,23%) e café em pó (-0,16%).
• Vendido ao preço médio de R$ 5,55, o tomate foi o item com alta de preço mais expressiva: 35,70%. Em 12 meses, contudo, o fruto registrou a retração mais significativa (-19,10%).
• Pelo segundo mês consecutivo, batata (28,81%) e carne bovina (0,81%) registraram variação positiva de preços. Em 12 meses, o tubérculo acumula alta de 21,74% e a carne bovina, queda de (-1,59%).
• A banana (12,66%) apresenta altas sucessivas há 5 meses. O preço médio do quilo da fruta, um cálculo ponderado entre os tipos Nanica e Prata, chegou a R$ 14,04.
• Depois de dois meses consecutivos de queda, a farinha de trigo registrou discreta alta de 0,28%. Em 12 meses, porém, o acumulado chega a 33,52%.
• A jornada de trabalho necessária para comprar uma cesta básica na capital em Outubro foi de 133 horas e 10 minutos.
• O comprometimento do salário mínimo líquido para aquisição de uma cesta básica para uma pessoa adulta, chegou a 65,44% dessa renda.




















