
Integrantes da Corte avaliam que debates transmitidos ao vivo podem ser explorados por campanhas nas redes sociais
A poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026, a exposição pública dos julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ser motivo de preocupação entre integrantes da Corte. Segundo relatos ouvidos pelo R7, ministros avaliam que novos confrontos transmitidos ao vivo podem ampliar a repercussão política da crise interna e transformar o plenário em palco para disputas que acabam sendo exploradas nas redes sociais.
A preocupação ganhou força depois da sessão extraordinária de 15 de setembro, quando os ministros discutiram se processos relacionados a Alexandre de Moraes e André Mendonça deveriam tramitar conjuntamente. O julgamento foi suspenso após pedido de vista de Flávio Dino, e o mérito das petições não chegou a ser analisado.
O episódio teve ampla repercussão e expôs divergências entre integrantes do tribunal. Para ministros e interlocutores citados pelo R7, a transmissão em tempo real dos debates aumenta o alcance de declarações e críticas feitas durante as sessões, que podem ser recortadas e compartilhadas nas redes sociais em meio ao ambiente eleitoral.
Crise no Supremo
A crise que envolve ministros do STF está relacionada aos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master e informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O relatório da Polícia Federal deu origem a uma petição apresentada por André Mendonça ao presidente do Supremo, Edson Fachin. O documento reúne informações que teriam relação com Alexandre de Moraes. Na sessão de 15 de setembro, Fachin e Mendonça votaram contra a reunião dos processos, enquanto outros ministros defenderam o julgamento conjunto. Flávio Dino pediu vista antes da conclusão da discussão.
De acordo com o registro oficial do STF, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes acompanharam a proposta de reunião dos processos apresentada por Gilmar Mendes. Luiz Fux e Cármen Lúcia anteciparam seus votos e acompanharam Fachin. Nunes Marques foi considerado impedido e Dias Toffoli declarou suspeição.
O episódio provocou novos atritos públicos entre ministros. Segundo a Folha, Fachin chegou a cancelar uma sessão do plenário diante da expectativa de novos embates relacionados ao caso.
Sessões transmitidas ao vivo
As sessões plenárias do STF são transmitidas publicamente e podem ser acompanhadas pela internet. A Corte também mantém registros oficiais dos julgamentos e das manifestações dos ministros.
O modelo de transparência permite que decisões e argumentos sejam acompanhados diretamente pelo público, mas, diante da atual crise, integrantes do tribunal demonstram preocupação com a repercussão de eventuais confrontos entre ministros.
O temor relatado é que discussões jurídicas sejam retiradas do contexto original e utilizadas por grupos políticos durante a campanha eleitoral. A preocupação, portanto, não está relacionada apenas ao conteúdo dos processos, mas também à maneira como declarações feitas no plenário podem circular nas plataformas digitais.
Fachin cancelou sessões
Edson Fachin, que preside o STF, cancelou sessões do plenário durante o agravamento da crise. A medida ocorreu depois dos episódios registrados na sessão de 15 de setembro e em meio às críticas públicas entre integrantes da Corte.
Segundo informações divulgadas pelo R7, o presidente do Supremo passou posteriormente a sinalizar a retomada da rotina de julgamentos. A decisão ocorre em um momento em que o tribunal precisa conciliar a continuidade da análise dos processos com a tensão entre seus integrantes.
Julgamento foi suspenso
Na sessão de 15 de setembro, o plenário analisava uma questão de ordem sobre a reunião das Petições 16.662 e 16.704, relacionadas ao caso Banco Master.
A discussão não chegou ao mérito das acusações. O ministro Flávio Dino pediu vista dos autos, interrompendo a análise. Conforme o registro oficial do STF, a proposta discutida previa, entre outros pontos, a tramitação conjunta dos processos e a certificação de magistrados mencionados no caso sobre os quais recaíssem indícios de recebimento de valores indevidos.
O episódio ocorreu pouco mais de duas semanas antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro de 2026. Nesse cenário, integrantes do Supremo ouvidos pela reportagem do site R7 avaliam que a exposição de novos conflitos internos pode aumentar a utilização política de imagens e declarações das sessões nas redes sociais.




















