TSE não consegue confirmar se canal ‘Exército do Lula’ divulgou fake news

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Fachada do prédio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — (Foto: Luiz Roberto/TSE)

Análise técnica não encontrou, nas publicações examinadas de outubro, as alegações questionadas pela campanha de Flávio Bolsonaro; apagamento de mensagens anteriores dificulta a avaliação completa.

A Justiça Eleitoral não conseguiu determinar se o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), foi usado para disseminar notícias falsas contra Flávio Bolsonaro (PL). Em relatório divulgado nesta segunda-feira (12), a área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que não encontrou, nas mensagens analisadas entre os dias 2 e 11 de outubro, as afirmações contestadas pela campanha do candidato.

A análise foi solicitada pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, após a campanha de Flávio questionar publicações que teriam circulado no canal em setembro. Segundo os técnicos, parte das mensagens anteriores foi apagada, o que impede a reconstituição completa do conteúdo divulgado.

Quais acusações foram analisadas

A campanha de Flávio Bolsonaro alegou que publicações compartilhadas entre 10 e 28 de setembro atribuíam ao candidato propostas e envolvimentos que ele contesta. Entre as afirmações questionadas estavam a suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, envolvimento com milícias e planos para reduzir aposentadorias e benefícios sociais.

Também foi contestada uma suposta determinação de cancelar o reajuste do Bolsa Família.

No período efetivamente analisado, de 2 a 11 de outubro, a equipe técnica não encontrou reproduções dessas afirmações no canal. A verificação incluiu textos, prévias de links, títulos e miniaturas de vídeos vinculados, além de áudios transcritos.

O relatório, no entanto, não concluiu que nunca houve desinformação no canal. A avaliação ficou limitada ao material disponível e ao intervalo examinado, enquanto a exclusão de mensagens anteriores dificultou uma análise histórica mais ampla.

Relatório aponta risco de mobilização coordenada

Apesar de não identificar as alegações específicas no período analisado, a área técnica alertou para riscos relacionados ao alcance e à dinâmica de funcionamento do canal.

O documento menciona a possibilidade de mobilização coordenada de apoiadores, com orientações para impulsionar publicações, hashtags e vídeos em diferentes plataformas digitais. Segundo a avaliação, esse tipo de atuação pode ampliar rapidamente a circulação de conteúdos e dificultar o acompanhamento das ações.

Os técnicos também demonstraram preocupação com o uso recorrente de expressões de caráter militar e de uma linguagem que divide os participantes entre grupos adversários. Na avaliação apresentada, esse tom pode reforçar uma lógica de confronto incompatível com o papel das eleições em uma democracia, em que disputas políticas devem ser resolvidas pelo voto.

Canal foi suspenso e depois restabelecido

A análise técnica ocorre em meio a decisões divergentes dentro do próprio TSE sobre o funcionamento do canal.

No domingo (11), Nunes Marques havia determinado a suspensão do “Exército do Lula” até o segundo turno, atendendo a um pedido relacionado à ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro.

A decisão foi revertida pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que determinou o restabelecimento provisório do canal e encaminhou o caso para análise urgente do plenário do tribunal.

Com isso, o canal voltou a funcionar enquanto aguarda uma decisão colegiada. A análise técnica divulgada nesta segunda-feira acrescenta elementos ao processo, mas não representa, por si só, um julgamento definitivo sobre as acusações.